Tsunami

Brasil

Um tsunami local não espera que soe um alarme: pode chegar em minutos, antes que qualquer autoridade consiga emitir um aviso. Por isso a instrução oficial aqui é diferente da de quase qualquer outra emergência — aqui o próprio sismo é o alerta. Quem conhece os três sinais naturais e sobe sem esperar permissão sobrevive; e quem volta à praia depois da primeira onda, muitas vezes não.

Atualizado em 10 de setembro de 2026

Coches, camiones y dos grandes barcos pesqueros arrastrados tierra adentro en el puerto de Kodiak, Alaska, por el tsunami de 1964.
Coches, camiones y dos grandes barcos pesqueros arrastrados tierra adentro en el puerto de Kodiak, Alaska, por el tsunami de 1964.U.S. Geological Survey, Alaska Technical Data Unit · Dominio público

Antes da crise

Aprenda hoje a sua rota de evacuação, porque no dia do sismo você não vai ter tempo de improvisá-la. A ficha informativa oficial da FEMA dá uma referência concreta de até onde chegar: 30 metros (100 pés) acima do nível do mar, ou pelo menos 1,6 quilômetro (uma milha) para o interior. Se a sua área tiver sinalização de evacuação, siga-a: ela foi traçada com o estudo de inundação local, que é melhor do que qualquer cálculo próprio.

  • Percorra sua rota pelo menos uma vez, cronometrando o tempo, e faça isso também com as crianças e com os idosos da família.
  • Tenha à mão calçado fechado e uma lanterna em um lugar fixo: muitos tsunamis chegam de madrugada.
  • Combine um ponto de encontro em terreno alto, não em casa. Ninguém desce para buscar ninguém.
  • Se você mora, trabalha ou leva seus filhos a uma escola em uma área costeira baixa, pergunte qual é o protocolo e onde fica a zona segura.
  • Tenha um rádio a pilha: para o tsunami distante, o aviso oficial chega, sim, e há tempo de ouvi-lo.
Tsunami local — o sismo é o alerta
O NWS o define assim: "a fonte de um tsunami local fica perto da costa e pode chegar em menos de uma hora". A NOAA acrescenta que os tsunamis locais podem chegar apenas minutos depois do evento que os origina. Nesse cenário não haverá boletim a tempo: se você sentir um sismo forte ou longo na costa, primeiro proteja-se do sismo — abaixe-se, proteja-se, segure-se — e, assim que o movimento parar, suba.
Tsunami distante — aqui sim há aviso
Quando é gerado do outro lado do oceano, "há mais tempo para emitir alertas e responder a eles". É o caso em que o rádio, o celular e as autoridades funcionam como sistema de aviso, e em que convém sair de forma ordenada, e não em debandada.
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Durante a crise

  1. Primeiro, sobreviva ao sismo. Se você está na costa e o chão treme, a primeira ameaça é o próprio sismo: abaixe-se, proteja-se e segure-se até o movimento parar. Só então começa a evacuação.
  2. Suba ou afaste-se, sem esperar confirmação. o mais alto ou o mais para o interior possível, ou para a sua zona segura fora da área de risco. Não perca tempo checando nas redes sociais se "realmente" vem vindo: em um tsunami local, quando houver confirmação, já não haverá mais tempo.
  3. Faça isso a pé, se puder. A NOAA é explícita: planeje evacuar a pé, se puder; as estradas podem ficar intransitáveis por causa de danos, interdições ou engarrafamentos. Um sismo forte deixa ruas quebradas e semáforos apagados; o carro que parecia a opção mais rápida é a armadilha onde muita gente fica presa.
  4. Não desça para olhar o mar. A água recuar e deixar o fundo do mar à vista não é um espetáculo: é o sinal de que a onda está vindo. Todo tsunami documentado tem sua lista de pessoas que desceram para olhar ou para catar peixes.
Alerta (Warning)
É emitido quando um tsunami com potencial de causar inundação generalizada é iminente, é esperado ou já está ocorrendo. Ação: ir para um terreno alto ou para o interior.
Aviso (Advisory)
É emitido quando se esperam correntes ou ondas perigosas para quem estiver na água ou muito perto dela. Ação: saia da água e afaste-se de praias e canais. Não exige evacuar para o interior, mas a praia deixa de ser um lugar seguro.
Vigilância (Watch)
É emitido quando um tsunami pode afetar a área mais tarde. Ação: mantenha-se informado e esteja pronto para agir.
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Depois da crise

  • Permaneça em terreno alto até que a autoridade declare o fim do perigo, mesmo que o mar pareça calmo.
  • Ao voltar, evite água parada: ela pode conter esgoto, combustível e fios energizados.
  • Não entre em uma construção que ficou cercada pela água até que alguém com critério técnico a vistorie: a água solapa as fundações.
  • Documente todos os danos com fotografias antes de limpar ou jogar qualquer coisa fora, para o seguro e para qualquer apoio oficial.
  • Trate a água da torneira como não potável até que a autoridade confirme o contrário: veja o procedimento de desinfecção no guia de crise de infraestrutura.
  • Conte com que a eletricidade e a água vão demorar: o guia de apagão de energia cobre esses dias.
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Plano familiar

O plano familiar para um tsunami se distingue por uma regra que é preciso aceitar de antemão: cada um sobe por conta própria. Ninguém desce para buscar ninguém, e o ponto de encontro fica em cima, não em casa. Parece duro, e é exatamente o que separa as famílias que se reencontram das que não se reencontram.

Com crianças
Ensine a eles os três sinais naturais como se ensina a atravessar a rua: se treme forte, se o mar recua, se ouve um rugido, sobe-se sem pedir permissão a ninguém. Uma criança que sabe disso pode se salvar mesmo sem estar com você, que é justamente o cenário que assusta.
Com idosos ou pessoas com mobilidade reduzida
É a parte mais difícil e precisa ser resolvida antes: quem os acompanha, por qual rota, e qual edifício alto e próximo pode servir de refúgio vertical se não for possível alcançar a altura recomendada. Esse combinado se faz com os vizinhos, não só dentro da família.
Se você trabalha ou mora de frente para o mar
Tenha no trabalho o mesmo que em casa: calçado fechado, uma lanterna e a rota conhecida. A maioria das pessoas não está em casa quando a emergência acontece.
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Alimentação e água

Como armazenar a água para que sirva quando você precisar
O CDC pede recipientes de grau alimentício aprovados, com tampa que feche bem, de material rígido e inquebrável —nunca vidro— e com boca estreita para facilitar o despejo. Aviso expresso: não use embalagens que já contiveram produtos químicos tóxicos, como cloro ou pesticidas. E o que quase todo mundo esquece: a água guardada é trocada a cada 6 meses. Para desinfetar o recipiente antes de enchê-lo, use uma colher de chá de cloro doméstico sem perfume em um litro de água, espere 30 segundos e esvazie.
Que comida ter guardada
A Ready.gov recomenda vários dias de alimentos não perecíveis e dá a lista concreta: carnes, frutas e verduras enlatadas prontas para comer —e um abridor de latas—, barras de proteína ou de fruta, cereal seco ou granola, pasta de amendoim, fruta seca, sucos enlatados e leite pasteurizado de longa vida. A regra ao montar essa reserva é simples: comida que sua família realmente coma, que não precise de cozimento e que você possa revezar antes que vença.
  • Mantenha geladeira e freezer fechados: cada abertura desperdiça horas da reserva de frio.
  • Jogue fora todo alimento que tenha tocado água de enchente, mesmo que a embalagem pareça intacta. É instrução expressa da Ready.gov.
  • Tenha um abridor de latas manual. É o objeto mais esquecido e o que deixa a despensa inutilizável.
  • Se comprar água engarrafada, guarde-a lacrada em sua embalagem original, em um lugar fresco e escuro.
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Energia e comunicações

Quando a rede de celular satura: mande mensagem, não ligue
O guia conjunto da FCC e da FEMA explica o motivo: "as mensagens de texto podem passar quando sua ligação não consegue", ainda que haja atraso na entrega se a rede estiver congestionada. E pede algo que quase ninguém faz: "limite as ligações que não sejam de emergência", porque cada ligação ocupa espaço que as comunicações de socorro precisam. Guarde também um contato com o nome "ICE" (In Case of Emergency), que é a convenção que a equipe de resgate procura em um celular alheio.
Como fazer a bateria render mais
O mesmo guia recomenda diminuir o brilho da tela e desativar aplicativos para preservar a carga. Em uma emergência, o telefone deixa de ser entretenimento e passa a ser sua única linha com o mundo exterior: trate-o como trata a água.
O rádio a pilha continua insubstituível
A FCC e a FEMA recomendam um rádio a pilha ou uma televisão portátil para acompanhar os boletins de emergência durante os apagões. É o único canal que não depende nem da sua eletricidade nem da rede de celular.
Os alertas que você já tem e não sabia
Nos Estados Unidos, os Wireless Emergency Alerts são mensagens gratuitas que chegam direto ao celular em caso de clima severo, alertas AMBER e ameaças à segurança da sua região. Duas coisas que vale a pena saber: não é preciso se inscrever —funcionam nos telefones desde 2012— e não são afetados pelo congestionamento da rede, então chegam quando as ligações já não passam mais. Descubra qual é o sistema equivalente no seu país e não o silencie.
  • Tenha pelo menos uma fonte de luz que não dependa da rede elétrica: lanterna a pilha, de manivela ou luminária recarregável.
  • Carregue celulares e baterias reserva antes de o evento anunciado chegar, não quando a luz já tiver acabado.
  • Guarde uma lista de telefones importantes em papel: se o celular morrer, seus contatos morrem junto.
  • Combine com sua família que, depois de uma emergência, todos mandam mensagem para um mesmo contato em vez de se ligarem uns para os outros.
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Saúde e necessidades especiais

Esta é a seção que decide quem passa mal e quem passa perigosamente mal. Uma emergência não suspende o diabetes, a hipertensão, a gravidez nem a dependência de um concentrador de oxigênio: o que se interrompe é o acesso à farmácia, à clínica e à eletricidade. Tudo o que vem a seguir se prepara antes, porque durante já não há margem.

  1. Tenha uma reserva dos seus remédios, e saiba quais aguentam. A Ready.gov pede um suprimento de vários dias dos medicamentos prescritos. Para os que precisam de refrigeração, o CDC é taxativo: quando a luz fica um dia ou mais sem voltar, descarta-se todo medicamento que precise ser refrigerado, a menos que o rótulo diga outra coisa.
  2. A exceção da insulina, que vale a pena saber ao pé da letra. A FDA documenta que a insulina em frascos ou cartuchos do fabricante —aberta ou fechada— pode ficar sem refrigeração entre 15 e 30 °C (59 e 86 °F) por até 28 dias e continuar funcionando. Ela perde efetividade em temperaturas extremas, e quanto mais longa a exposição, menos serve. Em emergência "você ainda pode precisar usar insulina que foi armazenada acima de 30 °C" —é preferível a não usá-la—, mas assim que o armazenamento adequado for restabelecido, esses frascos devem ser descartados e substituídos.
  3. Se alguém depende de um equipamento médico elétrico, há um trâmite que quase ninguém faz. A Ready.gov diz isso explicitamente: você pode pedir à sua companhia de energia que te inclua em uma lista de prioridade para o restabelecimento do serviço. Esse trâmite é gratuito, pode ser feito em qualquer dia e muda a ordem em que você é reconectado. Tenha uma bateria adicional para a cadeira de rodas elétrica e para qualquer dispositivo de assistência, e converse com o médico sobre como manter o equipamento funcionando durante um apagão.
  4. Guarde uma cópia das informações médicas, não só os remédios. Lista de medicamentos com doses, alergias, diagnósticos, contatos dos médicos e —para bebês— a carteira de vacinação. Nem sempre é possível repor um frasco sem receita em uma farmácia de outra cidade; uma lista escrita resolve.
Gravidez e recém-nascidos
O CDC pede no kit as vitaminas pré-natais e demais medicamentos, e suprimentos para o caso de o parto acontecer sem conseguir chegar ao hospital: toalhas limpas, tesoura afiada limpa, aspirador nasal, luvas, dois cadarços brancos limpos para amarrar o cordão, lençóis limpos, absorventes, sabão ou álcool e sacos de lixo. Para bebês: fraldas, lenços umedecidos, pomada, mamadeiras e fórmula. Um detalhe que importa: a fórmula pronta para consumo é a opção mais segura em emergência, porque não precisa ser misturada com água e vem em embalagens estéreis de uso único.
Deficiência, mobilidade reduzida e idosos
A Ready.gov insiste em planejar com antecedência o transporte acessível que será necessário para evacuar ou se deslocar, e em incluir o animal de serviço ou de apoio, com sua comida, água e suprimentos. Esse plano deve ser combinado com vizinhos concretos, com nome, e não de forma abstrata.
O golpe que chega depois: a saúde mental
O CDC nomeia as reações normais após um desastre —medo, raiva, tristeza, preocupação, dormência, frustração, problemas para dormir ou pesadelos— e recomenda cuidar do corpo, manter contato com outras pessoas e fazer pausas nas notícias. Nos Estados Unidos e seus territórios existe a Linha de Ajuda para Afetados por Desastres, disponível 24 horas: 1-800-985-5990, com atendimento em espanhol. Pedir ajuda aqui não é fraqueza: é parte da recuperação, assim como consertar o telhado.
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Moradia e pertences

  1. Antes de voltar a entrar: olhe, cheire e escute de fora. O CDC determina assim: se você sentir cheiro de gás ou suspeitar de um vazamento, feche o registro principal, abra todas as janelas e saia imediatamente. Se houver água parada dentro de casa e você puder cortar a energia a partir de um lugar seco, corte. E um aviso simples que evita explosões e incêndios: use lanternas a pilha, nunca velas, lampiões a gás ou tochas.
  2. Ventile antes de se instalar. A recomendação do CDC é entrar rapidamente para abrir portas e janelas e deixar a casa ventilar por pelo menos 30 minutos antes de permanecer dentro dela.
  3. Cortar os serviços: quando sim, e o erro que não se pode cometer. O gás tem uma regra sem exceções: se você o fechar por qualquer motivo, somente um profissional qualificado pode voltar a abri-lo. Nunca o reabra você mesmo. A eletricidade se corta desligando primeiro os circuitos individuais e por último o disjuntor principal —a ordem importa, porque uma faísca elétrica pode incendiar gás se houver vazamento—. Convém fechar a água se os canos puderem ter rachado, porque isso contamina o abastecimento da casa, e não reabri-la até que a autoridade confirme que é potável.
  4. Volte só quando for autorizado. Parece óbvio e é a instrução mais desrespeitada: volte para casa somente quando as autoridades disserem que é seguro. O dano estrutural nem sempre é visível da rua.
  • Faça hoje um inventário com fotos do que há em cada cômodo: leva vinte minutos e vale ouro em um sinistro.
  • Guarde esse inventário e as apólices fora de casa —na nuvem ou com um familiar—, porque um arquivo que se molha junto com a casa não serve para nada.
  • Se precisar sair, leve com você os documentos, não os móveis.
  • Não assine nada com um prestador de serviço enquanto estiver em choque: consulte a seção de dinheiro, onde estão os sinais de fraude.
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Dinheiro e renda

Os documentos que você precisa proteger hoje
A recomendação oficial é guardar apólices de seguro, escrituras, registros de propriedade e demais papéis importantes em um lugar seguro fora de casa. Para isso, a FEMA publica o Emergency Financial First Aid Kit, organizado em quatro blocos: identificação do domicílio, documentação financeira e legal, informações médicas e contatos. Sua regra para o papel: caixa ou cofre à prova de fogo e água, caixa de segurança bancária, ou nas mãos de alguém de confiança. Para o digital: arquivos protegidos por senha em uma memória externa ou em armazenamento seguro fora de casa. E se você paga tudo online, imprima periodicamente os extratos das suas contas.
Um fundo de emergência, mesmo que pequeno
O CFPB evita fórmulas mágicas: "a quantia que você precisa depende da sua situação", mas "mesmo uma quantia pequena pode dar alguma segurança financeira". O argumento de fundo é o que importa: sem essa reserva, um gasto imprevisto único pode crescer muito mais que a fatura original por causa de juros e taxas, porque obriga a recorrer ao crédito.
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Oportunidades econômicas

Adaptação e renda
Tempo para começar: Dias

Serviço de limpeza e remoção de lama após uma enchente

Depois de uma enchente muitas casas e lojas precisam remover lama, secar e desinfetar antes de voltar a funcionar. É um trabalho físico, com procura concentrada nas semanas seguintes.

Investimento estimado: USD 0–300 Dificuldade: baja Precisa de veículo Precisa de ferramentas
Tempo para começar: Semanas

Secagem e desinfecção de móveis, colchões e tapetes

Depois que a água baixa, muitas casas não conseguem repor todos os móveis e preferem recuperá-los. Secar, lavar e desinfetar colchões, sofás e tapetes tem procura nas semanas seguintes.

Investimento estimado: USD 100–800 Dificuldade: media Precisa de veículo Precisa de ferramentas
Tempo para começar: Dias

Transporte de entulho e mudança de móveis

Levar entulho, móveis inservíveis e eletrodomésticos danificados ao ponto de coleta indicado pelo município, ou mover pertences para um lugar seco, é uma das primeiras necessidades.

Investimento estimado: USD 0–200 Dificuldade: baja Precisa de veículo Precisa de ferramentas
Tempo para começar: Dias

Venda de comida pronta em domicílio

Quando muitas famílias ficam sem cozinha, sem gás ou sem tempo, a comida pronta e barata vira um serviço básico do bairro.

Investimento estimado: USD 20–300 Dificuldade: baja De casa

As oportunidades são possibilidades, não garantias. O resultado depende da localização, da procura, da concorrência, do capital, das habilidades e das circunstâncias de cada pessoa.

Filtre as possibilidades de renda segundo a sua situação. Os resultados são pontos de partida para pesquisar na sua região, não recomendações personalizadas. O que posso fazer?

O que se pode vender

Adaptação e renda

Um tsunami deixa um dano diferente do de uma enchente de chuva: a água chega com força, arrasta e deixa sal, lama e entulho pesado terra adentro. A demanda se parece com a de uma enchente, mas com dois acréscimos próprios: o arrasto de objetos grandes e o dano por água salgada.

  • Retirada de entulho e de objetos arrastados: móveis, veículos, embarcações e restos de construção terra adentro.
  • Limpeza de lama e sal em interiores, quintais e ruas.
  • Secagem de residências e controle de mofo, com o mesmo prazo de 24 a 48 horas de qualquer enchente.
  • Lavagem e recuperação de utensílios que ficaram em água salgada, que corrói metais e eletrônicos.
  • Limpeza de cisternas e caixas d'água que ficaram contaminadas com água do mar.
  • Água potável e comida pronta enquanto a rede não volta.
  • Sinalização e rotas de evacuação: pintura, placas e mapas para bairros e comércios costeiros, que é o trabalho preventivo.
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Negócios e autoemprego

Adaptação e renda

Vale partir de um dado para dimensionar do que estamos falando: segundo a OIT, a informalidade afeta quase metade da população ocupada da América Latina e do Caribe, cerca de 47%, com diferenças enormes entre países —menos de 30% no Uruguai e no Chile, mais de 70% na Bolívia e no Peru—. Para milhões de famílias da região, "procurar emprego" e "montar algo por conta própria" são a mesma frase. O que vem a seguir não é uma promessa de renda: é o mapa do que as pessoas efetivamente fazem quando passam por uma crise, com seus requisitos e riscos à vista.

Limpeza e secagem depois da água salgada
É o trabalho com mais demanda e vale a pena entendê-lo bem: o sal não vai embora sozinho, é preciso enxaguar com água doce o que se quer salvar, e depois secar. O prazo do NIOSH vale como em qualquer enchente —retirar ou secar o material danificado pela água em 24 a 48 horas para conter o mofo—, e o limite da EPA também: acima de 10 pés quadrados de mofo, ou se a água veio do esgoto, o trabalho é para um profissional experiente.
Retirada de entulho pesado e objetos arrastados
Um tsunami move coisas que uma enchente não move: veículos, lanchas, tanques. Esse trabalho exige equipamento e coordenação com a autoridade, que costuma definir onde cada tipo de resto deve ser descartado. Se você não tem maquinário, sobra trabalho na classificação e no transporte manual, respeitando o equipamento de proteção documentado pela OSHA: botas, luvas, capacete e proteção ocular e respiratória.
Sinalização de rotas de evacuação — o negócio preventivo
É o mais útil e o menos atendido. Pintar e instalar placas de rota de evacuação, marcar a cota segura e elaborar mapas simples para bairros, hotéis, escolas e comércios costeiros. Vende-se a associações de moradores, câmaras de comércio e negócios turísticos, que têm interesse direto em poder dizer que sua área está sinalizada. E, diferentemente do resto desta lista, esse trabalho salva vidas antes que algo aconteça.
Estados Unidos — empréstimos por desastre da SBA
Para áreas com declaração de desastre. O empréstimo por dano econômico (EIDL) é capital de giro para pequenos negócios e organizações sem fins lucrativos afetados; o de dano físico cobre perdas não cobertas pelo seguro. Teto combinado de 2 milhões de dólares, juros que não excedem 4% se você não conseguir crédito em outro lugar, prazo de até 30 anos e primeira parcela adiada em 12 meses. Também há linha para proprietários de imóvel residencial (até 500.000) e locatários por bens pessoais (até 100.000).
México — o que existe hoje, com honestidade
O FONDEN deixou de assumir compromissos em 1º de janeiro de 2021. O que opera hoje diante de emergências é o PAEAN, da Proteção Civil, e vale saber o que é e o que não é: entrega insumos de socorro —cestas básicas, água, cobertores, telhas, material de limpeza— quando a capacidade do estado é ultrapassada. Não é um fundo de reconstrução nem um crédito para o seu negócio. Para capital, será preciso buscar programas estaduais, municipais ou bancos de desenvolvimento, sempre verificando no site oficial: em torno desses programas circulam fraudes que usam seu nome.
Brasil — Pronampe para micro e pequena empresa
Linha de crédito para microempresas (faturamento anual até 360.000 reais) e pequenas empresas (de 360.000 a 4,8 milhões). O valor chega a até 60% do faturamento bruto do ano anterior para empresas com mais de um ano de operação, e até 50% para as novas. A taxa máxima é a SELIC mais até 6% ao ano.
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Produtos e ferramentas

Produtos e ferramentas que podem ser úteis

Seleção orientativa para complementar a informação desta página. Não é uma loja nem uma recomendação de compra obrigatória.

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Manuais e tutoriais

PDF · manual

Manual do que fazer: Tsunami

Guia completo em PDF para imprimir ou levar no telefone, com as medidas oficiais antes, durante e depois, e as fontes citadas.

Checklists e planilhas

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Histórias de recuperação

Casos reais, publicados e verificáveis: cada um traz o link da fonte onde foi documentado. Aqui não há depoimentos inventados.

Yagisawa Shoten, Rikuzentakata (Japão) — a fábrica se perdeu, o fermento não

O tsunami de 11 de março de 2011 destruiu por completo a fábrica de molhos fundada em 1807: perdeu-se todo o estoque, um funcionário morreu e seis perderam familiares. A empresa se salvou por algo que havia feito antes do desastre: havia doado amostras de seus fungos de fermentação a um laboratório, e essas culturas —a identidade do produto, impossível de recomprar— sobreviveram fora da cidade. Com 1,5 milhão de dólares reunidos por financiamento coletivo na plataforma Music Securities, manteve em folha seus 38 funcionários, ergueu uma fábrica nova no terreno de uma escola e voltou a vender produtos de terceiros já em maio de 2011, embora seu próprio molho só tenha voltado a sair em maio de 2013. Em março de 2015 vendia cerca de 70% do que vendia antes e ainda não dava lucro.

O que aprender com isso: Guarde uma cópia do que não pode ser recomprado —receitas, moldes, culturas, plantas, base de clientes— fora da sua zona de risco, hoje. E observe os prazos reais: dois anos até voltar a fazer o produto próprio, quatro sem recuperar as vendas. Planeje a recuperação em anos, não em semanas.

The World (PRX) · 2015-03-10 · Tsunami-proof: Japanese soy sauce rises from ruins of 2011 disaster

Artigos relacionados

O que os tsunamis documentados ensinam. A América tem o registro mais contundente de todos: o maior sismo já medido aconteceu no Chile.

Valdivia, Chile, 22 de maio de 1960 — o tsunami que cruzou o Pacífico
O sismo de magnitude 9,5 é o maior terremoto já registrado instrumentalmente. As mortes no Chile por ambos os eventos são estimadas entre 490 e 5.700, segundo a NOAA. Mas o que diferencia este caso é o alcance: o tsunami matou 61 pessoas no Havaí, deixou pelo menos 21 mortos nas Filipinas e chegou ao Japão quase um dia depois, onde destruiu cerca de 3.000 casas. A lição: um tsunami distante pode matar do outro lado do oceano um dia inteiro depois. Se o seu país emite um aviso por causa de um sismo ocorrido longe, esse aviso é real.
Queule, Chile, 1960 — o sinal natural que salvou uma família
O USGS documenta, em sua circular sobre sobrevivência, que, em Queule, Vitalia Llanquimán foi avisada por um homem a cavalo de que o mar havia recuado da costa. Seu marido interpretou isso como o que realmente era — o aviso de um tsunami — e subiram com as crianças até o morro, onde se salvaram. Outra família do mesmo povoado permaneceu em terreno baixo mesmo com os vizinhos já evacuando, e perdeu integrantes. A lição: saber ler o sinal e agir sem esperar confirmação é, literalmente, a diferença.
Onagawa, Japão, 1960 — uma cidade inteira avisada a tempo
No mesmo documento do USGS é registrado o caso do bombeiro Kimura Kunio, que notou de madrugada um movimento anômalo da água no porto e alertou a cidade. Os moradores chegaram a terreno alto antes da primeira onda grande e não houve mortes. O documento também confirma o padrão que este guia repete: a segunda onda foi maior que a primeira, e a maior chegou ainda depois.
A escala do risco, em números oficiais
A NOAA registra os principais eventos recentes: Chile 2010, sismo de magnitude 8,8, 558 mortos entre sismo e tsunami; Japão 2011, magnitude 9,0, 15.890 mortos e 2.590 desaparecidos; Oceano Índico 2004, magnitude 9,1, 227.898 mortos ou desaparecidos. São números combinados de sismo e tsunami, tal como a fonte os publica.

Guias relacionados do site:

  • Terremoto — o que é preciso sobreviver primeiro, e que também é o alerta.
  • Enchente — a limpeza e a secagem depois da água.
  • Crise de infraestrutura — como tornar a água segura quando a rede falha.
  • Crise combinada — sismo, tsunami e apagão encadeados, que é como acontece.
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Não espere acontecer

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