Ataque Nuclear

Brasil

É o cenário que mais medo causa e sobre o qual mais mentiras circulam. A verdade documentada é incômoda nas duas direções: não é morte certa —em Hiroshima, estar dentro de uma casa reduziu a dose recebida à metade ou mais— e também não existe pílula que blinde ninguém. O que decide quem sobrevive à chuva radioativa é uma única coisa, e as agências resumem isso em três palavras: entre, fique dentro, fique informado.

Atualizado em 9 de setembro de 2026

Personal de la Comisión Reguladora Nuclear trabajando en un centro de respuesta durante un simulacro de emergencia nuclear.
Personal de la Comisión Reguladora Nuclear trabajando en un centro de respuesta durante un simulacro de emergencia nuclear.U.S. Nuclear Regulatory Commission · CC BY 2.0

Antes da crise

Identifique hoje o seu melhor abrigo. A FEMA é direta: o lugar mais seguro é o porão ou o cômodo mais interno de um edifício estruturalmente sólido, sem janelas se possível, porque quanto mais paredes, mais proteção. O CDC ordena as opções: um edifício de vários andares, de tijolo ou concreto, ou um porão, são o melhor; mas estar dentro de qualquer edifício é mais seguro do que estar ao ar livre.

  • Localize o porão ou o cômodo central da sua casa, do seu trabalho e da escola dos seus filhos. O abrigo útil é aquele que fica onde você já está.
  • Tenha uma reserva de água e alimentos para pelo menos três dias dentro desse espaço, porque você não vai poder sair para comprá-los.
  • Tenha um rádio a pilha ou de manivela: é a única forma de receber instruções se faltar eletricidade e sinal de celular.
  • Combine com a sua família que cada um se abriga onde estiver e que ninguém sai para procurar ninguém. Essa conversa precisa acontecer antes, não durante.
  • Tenha à mão sabonete, xampu e sacos plásticos com fecho: são o seu kit de descontaminação.
  • Se você toma remédios de uso diário, tenha uma reserva para vários dias dentro do abrigo.
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Durante a crise

  1. Se você vir um clarão, não olhe: abaixe-se e proteja-se. A orientação de proteção civil é explícita: não olhe para o clarão nem para a bola de fogo — isso pode cegar você. O Departamento de Saúde Pública da Califórnia indica desviar o olhar, fechar e cobrir os olhos, jogar-se no chão de bruços com as mãos embaixo do corpo e permanecer assim até que o calor e as duas ondas de choque tenham passado. A FEMA acrescenta que é preciso se abaixar assim que vir o clarão, para se proteger da explosão e dos destroços que voam.
  2. Conte com o fato de que a onda demora para chegar. Se a explosão for distante, a onda de choque pode levar 30 segundos ou mais para alcançar você. Esse intervalo é tempo real para você se proteger atrás de qualquer coisa que ofereça proteção. Não desperdice esse tempo olhando.
  3. Entre no edifício mais sólido que houver perto de você. Vá em direção ao centro do edifício ou ao porão, longe de janelas, paredes externas e telhado. O CDC explica isso com física simples: o material radioativo se deposita do lado de fora do edifício, então quanto mais construção você tiver entre esse material e o seu corpo, menor a dose que você recebe.
  4. Descontamine-se antes de se instalar. Se você estava do lado de fora, tire a roupa externa antes de entrar na área limpa do abrigo. O CDC quantifica o benefício: tirar a camada externa de roupa pode eliminar até 90% do material radioativo. Coloque-a em um saco plástico bem fechado e deixe-a longe das pessoas e dos animais de estimação.
  5. Lave-se, mas de uma forma bem específica. Tome banho com água morna e bastante sabonete. Use xampu, nunca condicionador: o CDC explica que o condicionador faz o material radioativo grudar no cabelo. Lave-se com suavidade —não se queime com água quente, não esfregue nem coce a pele— porque a pele machucada deixa a contaminação entrar. Assoe o nariz com cuidado e limpe as pálpebras, os cílios e as orelhas com um pano úmido.
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Depois da crise

Quanto tempo é preciso ficar dentro. O CDC indica permanecer abrigado por pelo menos 24 horas; a orientação da FEMA propõe uma faixa de 12 a 24 horas, a menos que uma ameaça mais imediata —um incêndio ou um desabamento— obrigue a sair antes. Nos dois casos a regra é a mesma: não se sai até que as autoridades digam que é seguro, exceto por uma condição que ameace a vida.

  • Mantenha o rádio ligado: as autoridades vão indicar quando e por onde sair, e essa rota pode não ser a mais curta.
  • Se você tiver que sair por uma emergência que ameace a vida, cubra-se o máximo que puder e descontamine-se de novo ao voltar.
  • Não consuma água nem alimentos que tenham ficado destampados do lado de fora. O que está lacrado e guardado dentro é o que é seguro.
  • Quando a saída for autorizada, siga as instruções sobre quais áreas evitar: a contaminação não se distribui de forma uniforme nem visível.
  • Procure atendimento médico se você teve náusea e vômito nas horas seguintes à exposição: é um sinal que a equipe de saúde precisa conhecer.
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Plano familiar

O plano familiar deste cenário tem uma diferença enorme em relação a todos os outros deste site: aqui o plano é não sair procurando uns aos outros. É contraintuitivo e é difícil de aceitar, mas é exatamente o que as agências pedem, porque sair durante as primeiras horas é o que transforma uma pessoa a salvo em uma pessoa exposta.

Com filhos na escola
As escolas têm protocolo de abrigo, e o próprio edifício protege. Combine hoje com a sua família que ninguém corre para a escola durante as primeiras horas, e confirme com a escola qual é o procedimento dela. Explique isso também para as crianças: saber que o plano é "cada um fica onde está, a gente se vê depois" reduz o pânico quando o plano entra em ação.
Com idosos ou pessoas com deficiência em casa
Identifique desde já o cômodo interno ao qual eles possam chegar rápido e sem escadas, se necessário, e deixe ali os remédios deles. Se dependerem de eletricidade para algum equipamento médico, essa é uma conversa para ter com o médico deles antes, não durante.
Contato fora da região
Combine um contato em outra cidade para quem todos mandem uma mensagem assim que puderem. As linhas locais ficam saturadas, e as de longa distância às vezes não; uma mensagem de texto passa onde uma ligação não passa. Esse contato reúne as informações e as repassa, e assim ninguém precisa sair para descobrir nada.
Com animais de estimação
Eles entram no abrigo com você. Se ficaram do lado de fora durante a queda de cinzas radioativas, limpe-os com água e sabonete antes que compartilhem o espaço interno, e trate o pelo deles com o mesmo cuidado que o seu cabelo: sem esfregar.
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Alimentação e água

Como armazenar a água para que sirva quando você precisar
O CDC pede recipientes de grau alimentício aprovados, com tampa que feche bem, de material rígido e inquebrável —nunca vidro— e com boca estreita para facilitar o despejo. Aviso expresso: não use embalagens que já contiveram produtos químicos tóxicos, como cloro ou pesticidas. E o que quase todo mundo esquece: a água guardada é trocada a cada 6 meses. Para desinfetar o recipiente antes de enchê-lo, use uma colher de chá de cloro doméstico sem perfume em um litro de água, espere 30 segundos e esvazie.
Que comida ter guardada
A Ready.gov recomenda vários dias de alimentos não perecíveis e dá a lista concreta: carnes, frutas e verduras enlatadas prontas para comer —e um abridor de latas—, barras de proteína ou de fruta, cereal seco ou granola, pasta de amendoim, fruta seca, sucos enlatados e leite pasteurizado de longa vida. A regra ao montar essa reserva é simples: comida que sua família realmente coma, que não precise de cozimento e que você possa revezar antes que vença.
  • Mantenha geladeira e freezer fechados: cada abertura desperdiça horas da reserva de frio.
  • Jogue fora todo alimento que tenha tocado água de enchente, mesmo que a embalagem pareça intacta. É instrução expressa da Ready.gov.
  • Tenha um abridor de latas manual. É o objeto mais esquecido e o que deixa a despensa inutilizável.
  • Se comprar água engarrafada, guarde-a lacrada em sua embalagem original, em um lugar fresco e escuro.
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Energia e comunicações

Quando a rede de celular satura: mande mensagem, não ligue
O guia conjunto da FCC e da FEMA explica o motivo: "as mensagens de texto podem passar quando sua ligação não consegue", ainda que haja atraso na entrega se a rede estiver congestionada. E pede algo que quase ninguém faz: "limite as ligações que não sejam de emergência", porque cada ligação ocupa espaço que as comunicações de socorro precisam. Guarde também um contato com o nome "ICE" (In Case of Emergency), que é a convenção que a equipe de resgate procura em um celular alheio.
Como fazer a bateria render mais
O mesmo guia recomenda diminuir o brilho da tela e desativar aplicativos para preservar a carga. Em uma emergência, o telefone deixa de ser entretenimento e passa a ser sua única linha com o mundo exterior: trate-o como trata a água.
O rádio a pilha continua insubstituível
A FCC e a FEMA recomendam um rádio a pilha ou uma televisão portátil para acompanhar os boletins de emergência durante os apagões. É o único canal que não depende nem da sua eletricidade nem da rede de celular.
Os alertas que você já tem e não sabia
Nos Estados Unidos, os Wireless Emergency Alerts são mensagens gratuitas que chegam direto ao celular em caso de clima severo, alertas AMBER e ameaças à segurança da sua região. Duas coisas que vale a pena saber: não é preciso se inscrever —funcionam nos telefones desde 2012— e não são afetados pelo congestionamento da rede, então chegam quando as ligações já não passam mais. Descubra qual é o sistema equivalente no seu país e não o silencie.
  • Tenha pelo menos uma fonte de luz que não dependa da rede elétrica: lanterna a pilha, de manivela ou luminária recarregável.
  • Carregue celulares e baterias reserva antes de o evento anunciado chegar, não quando a luz já tiver acabado.
  • Guarde uma lista de telefones importantes em papel: se o celular morrer, seus contatos morrem junto.
  • Combine com sua família que, depois de uma emergência, todos mandam mensagem para um mesmo contato em vez de se ligarem uns para os outros.
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Saúde e necessidades especiais

Esta é a seção que decide quem passa mal e quem passa perigosamente mal. Uma emergência não suspende o diabetes, a hipertensão, a gravidez nem a dependência de um concentrador de oxigênio: o que se interrompe é o acesso à farmácia, à clínica e à eletricidade. Tudo o que vem a seguir se prepara antes, porque durante já não há margem.

  1. Tenha uma reserva dos seus remédios, e saiba quais aguentam. A Ready.gov pede um suprimento de vários dias dos medicamentos prescritos. Para os que precisam de refrigeração, o CDC é taxativo: quando a luz fica um dia ou mais sem voltar, descarta-se todo medicamento que precise ser refrigerado, a menos que o rótulo diga outra coisa.
  2. A exceção da insulina, que vale a pena saber ao pé da letra. A FDA documenta que a insulina em frascos ou cartuchos do fabricante —aberta ou fechada— pode ficar sem refrigeração entre 15 e 30 °C (59 e 86 °F) por até 28 dias e continuar funcionando. Ela perde efetividade em temperaturas extremas, e quanto mais longa a exposição, menos serve. Em emergência "você ainda pode precisar usar insulina que foi armazenada acima de 30 °C" —é preferível a não usá-la—, mas assim que o armazenamento adequado for restabelecido, esses frascos devem ser descartados e substituídos.
  3. Se alguém depende de um equipamento médico elétrico, há um trâmite que quase ninguém faz. A Ready.gov diz isso explicitamente: você pode pedir à sua companhia de energia que te inclua em uma lista de prioridade para o restabelecimento do serviço. Esse trâmite é gratuito, pode ser feito em qualquer dia e muda a ordem em que você é reconectado. Tenha uma bateria adicional para a cadeira de rodas elétrica e para qualquer dispositivo de assistência, e converse com o médico sobre como manter o equipamento funcionando durante um apagão.
  4. Guarde uma cópia das informações médicas, não só os remédios. Lista de medicamentos com doses, alergias, diagnósticos, contatos dos médicos e —para bebês— a carteira de vacinação. Nem sempre é possível repor um frasco sem receita em uma farmácia de outra cidade; uma lista escrita resolve.
Gravidez e recém-nascidos
O CDC pede no kit as vitaminas pré-natais e demais medicamentos, e suprimentos para o caso de o parto acontecer sem conseguir chegar ao hospital: toalhas limpas, tesoura afiada limpa, aspirador nasal, luvas, dois cadarços brancos limpos para amarrar o cordão, lençóis limpos, absorventes, sabão ou álcool e sacos de lixo. Para bebês: fraldas, lenços umedecidos, pomada, mamadeiras e fórmula. Um detalhe que importa: a fórmula pronta para consumo é a opção mais segura em emergência, porque não precisa ser misturada com água e vem em embalagens estéreis de uso único.
Deficiência, mobilidade reduzida e idosos
A Ready.gov insiste em planejar com antecedência o transporte acessível que será necessário para evacuar ou se deslocar, e em incluir o animal de serviço ou de apoio, com sua comida, água e suprimentos. Esse plano deve ser combinado com vizinhos concretos, com nome, e não de forma abstrata.
O golpe que chega depois: a saúde mental
O CDC nomeia as reações normais após um desastre —medo, raiva, tristeza, preocupação, dormência, frustração, problemas para dormir ou pesadelos— e recomenda cuidar do corpo, manter contato com outras pessoas e fazer pausas nas notícias. Nos Estados Unidos e seus territórios existe a Linha de Ajuda para Afetados por Desastres, disponível 24 horas: 1-800-985-5990, com atendimento em espanhol. Pedir ajuda aqui não é fraqueza: é parte da recuperação, assim como consertar o telhado.
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Moradia e pertences

  1. Antes de voltar a entrar: olhe, cheire e escute de fora. O CDC determina assim: se você sentir cheiro de gás ou suspeitar de um vazamento, feche o registro principal, abra todas as janelas e saia imediatamente. Se houver água parada dentro de casa e você puder cortar a energia a partir de um lugar seco, corte. E um aviso simples que evita explosões e incêndios: use lanternas a pilha, nunca velas, lampiões a gás ou tochas.
  2. Ventile antes de se instalar. A recomendação do CDC é entrar rapidamente para abrir portas e janelas e deixar a casa ventilar por pelo menos 30 minutos antes de permanecer dentro dela.
  3. Cortar os serviços: quando sim, e o erro que não se pode cometer. O gás tem uma regra sem exceções: se você o fechar por qualquer motivo, somente um profissional qualificado pode voltar a abri-lo. Nunca o reabra você mesmo. A eletricidade se corta desligando primeiro os circuitos individuais e por último o disjuntor principal —a ordem importa, porque uma faísca elétrica pode incendiar gás se houver vazamento—. Convém fechar a água se os canos puderem ter rachado, porque isso contamina o abastecimento da casa, e não reabri-la até que a autoridade confirme que é potável.
  4. Volte só quando for autorizado. Parece óbvio e é a instrução mais desrespeitada: volte para casa somente quando as autoridades disserem que é seguro. O dano estrutural nem sempre é visível da rua.
  • Faça hoje um inventário com fotos do que há em cada cômodo: leva vinte minutos e vale ouro em um sinistro.
  • Guarde esse inventário e as apólices fora de casa —na nuvem ou com um familiar—, porque um arquivo que se molha junto com a casa não serve para nada.
  • Se precisar sair, leve com você os documentos, não os móveis.
  • Não assine nada com um prestador de serviço enquanto estiver em choque: consulte a seção de dinheiro, onde estão os sinais de fraude.
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Dinheiro e renda

Os documentos que você precisa proteger hoje
A recomendação oficial é guardar apólices de seguro, escrituras, registros de propriedade e demais papéis importantes em um lugar seguro fora de casa. Para isso, a FEMA publica o Emergency Financial First Aid Kit, organizado em quatro blocos: identificação do domicílio, documentação financeira e legal, informações médicas e contatos. Sua regra para o papel: caixa ou cofre à prova de fogo e água, caixa de segurança bancária, ou nas mãos de alguém de confiança. Para o digital: arquivos protegidos por senha em uma memória externa ou em armazenamento seguro fora de casa. E se você paga tudo online, imprima periodicamente os extratos das suas contas.
Um fundo de emergência, mesmo que pequeno
O CFPB evita fórmulas mágicas: "a quantia que você precisa depende da sua situação", mas "mesmo uma quantia pequena pode dar alguma segurança financeira". O argumento de fundo é o que importa: sem essa reserva, um gasto imprevisto único pode crescer muito mais que a fatura original por causa de juros e taxas, porque obriga a recorrer ao crédito.
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Oportunidades econômicas

Adaptação e renda
Tempo para começar: Dias

Venda de comida pronta em domicílio

Quando muitas famílias ficam sem cozinha, sem gás ou sem tempo, a comida pronta e barata vira um serviço básico do bairro.

Investimento estimado: USD 20–300 Dificuldade: baja De casa
Tempo para começar: Dias

Recados e entregas em domicílio

Pessoas idosas, doentes ou sem transporte precisam de alguém que leve remédios, mantimentos e água. Cobra-se por viagem ou por tempo.

Investimento estimado: USD 0–150 Dificuldade: baja Precisa de veículo
Tempo para começar: Dias

Vedação e isolamento térmico da casa

Vedar frestas de portas e janelas, colocar borrachas e isolar tetos mantém o calor e reduz o gasto com aquecimento.

Investimento estimado: USD 30–400 Dificuldade: baja Precisa de ferramentas
Tempo para começar: Dias

Venda de lâmpadas recarregáveis, pilhas e baterias portáteis

Quando falta luz por dias, o que acaba primeiro são lanternas, pilhas e baterias para o telefone. Revenda local com margem pequena e giro rápido.

Investimento estimado: USD 50–600 Dificuldade: baja De casa

As oportunidades são possibilidades, não garantias. O resultado depende da localização, da procura, da concorrência, do capital, das habilidades e das circunstâncias de cada pessoa.

Filtre as possibilidades de renda segundo a sua situação. Os resultados são pontos de partida para pesquisar na sua região, não recomendações personalizadas. O que posso fazer?

O que se pode vender

Adaptação e renda

Esta seção exige um aviso antes de uma lista, porque é o cenário em que mais se lucra com o medo. Tudo que for vendido prometendo blindagem pessoal contra radiação é fraude, e neste caso a fraude pode matar: alguém que se acredita protegido sai do abrigo antes da hora.

O que tem demanda legítima é o que torna um abrigo habitável e o que sustenta uma família confinada por vários dias. É praticamente a mesma preparação que serve para um apagão ou um furacão, que é justamente o argumento de venda honesto:

  • Rádios a pilha ou de manivela, que é o equipamento mais importante: sem eles não chegam as instruções para sair.
  • Reservas de água e alimentos não perecíveis para vários dias dentro do abrigo.
  • Sabonete, xampu, toalhinhas e sacos plásticos com fecho, que são o equipamento real de descontaminação.
  • Iluminação autônoma: lâmpadas recarregáveis, de manivela e a pilha.
  • Vedação de portas e janelas do cômodo interno: fita, plástico e vedantes.
  • Kit de primeiros socorros e reserva de medicamentos crônicos para vários dias.
  • Kits de resguardo para escolas, escritórios e prédios, que costumam ser obrigados a ter um plano e quase nunca têm o material.
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Negócios e autoemprego

Adaptação e renda

Vale partir de um dado para dimensionar do que estamos falando: segundo a OIT, a informalidade afeta quase metade da população ocupada da América Latina e do Caribe, cerca de 47%, com diferenças enormes entre países —menos de 30% no Uruguai e no Chile, mais de 70% na Bolívia e no Peru—. Para milhões de famílias da região, "procurar emprego" e "montar algo por conta própria" são a mesma frase. O que vem a seguir não é uma promessa de renda: é o mapa do que as pessoas efetivamente fazem quando passam por uma crise, com seus requisitos e riscos à vista.

A honestidade obriga a dizer algo primeiro: este não é um cenário em que valha a pena montar um negócio «para quando acontecer». O que existe, e é legítimo e útil, é o trabalho de preparação —que além disso serve para as emergências muito mais prováveis— e o trabalho de recuperação feito depois, com equipamento e formação, não improvisando.

Preparação de espaços de resguardo
Identificar o cômodo interno de uma residência, um estabelecimento ou uma escola, vedá-lo, equipá-lo com água, rádio, luz e kit de primeiros socorros, e deixar o procedimento escrito e afixado na porta. É um serviço de baixo investimento que se vende pelo que realmente é: preparação para qualquer emergência que obrigue a permanecer dentro —um vazamento químico, um furacão, um apagão—, não para um único cenário. Escolas, creches, condomínios e pequenas empresas são o mercado natural.
Rádios e comunicação sem rede
Venda, configuração e —o que quase ninguém faz— ensinar a usá-los: sintonizar as estações oficiais da região, testar o equipamento periodicamente, ter pilhas reservas. Neste cenário o rádio não é um acessório: é o único canal pelo qual chega a ordem de sair.
Formação em preparação familiar
Oficinas curtas para famílias, condomínios ou empresas sobre o que fazer em emergências que exigem resguardo. O material deste site e seus manuais para download servem de base. Cobra-se por sessão e não exige estoque; o que se vende é clareza, que neste tema escasseia muito mais que os produtos.
Estados Unidos — empréstimos por desastre da SBA
Para áreas com declaração de desastre. O empréstimo por dano econômico (EIDL) é capital de giro para pequenos negócios e organizações sem fins lucrativos afetados; o de dano físico cobre perdas não cobertas pelo seguro. Teto combinado de 2 milhões de dólares, juros que não excedem 4% se você não conseguir crédito em outro lugar, prazo de até 30 anos e primeira parcela adiada em 12 meses. Também há linha para proprietários de imóvel residencial (até 500.000) e locatários por bens pessoais (até 100.000).
México — o que existe hoje, com honestidade
O FONDEN deixou de assumir compromissos em 1º de janeiro de 2021. O que opera hoje diante de emergências é o PAEAN, da Proteção Civil, e vale saber o que é e o que não é: entrega insumos de socorro —cestas básicas, água, cobertores, telhas, material de limpeza— quando a capacidade do estado é ultrapassada. Não é um fundo de reconstrução nem um crédito para o seu negócio. Para capital, será preciso buscar programas estaduais, municipais ou bancos de desenvolvimento, sempre verificando no site oficial: em torno desses programas circulam fraudes que usam seu nome.
Brasil — Pronampe para micro e pequena empresa
Linha de crédito para microempresas (faturamento anual até 360.000 reais) e pequenas empresas (de 360.000 a 4,8 milhões). O valor chega a até 60% do faturamento bruto do ano anterior para empresas com mais de um ano de operação, e até 50% para as novas. A taxa máxima é a SELIC mais até 6% ao ano.
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Produtos e ferramentas

Produtos e ferramentas que podem ser úteis

Seleção orientativa para complementar a informação desta página. Não é uma loja nem uma recomendação de compra obrigatória.

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Manuais e tutoriais

PDF · manual

Manual do que fazer: Ataque Nuclear

Guia completo em PDF para imprimir ou levar no telefone, com as medidas oficiais antes, durante e depois, e as fontes citadas.

Checklists e planilhas

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Histórias de recuperação

Casos reais, publicados e verificáveis: cada um traz o link da fonte onde foi documentado. Aqui não há depoimentos inventados.

Bondes de Hiroshima (Japão) — voltaram a circular três dias depois

A bomba de 6 de agosto de 1945 danificou cerca de 90% da frota da Hiroshima Electric Railway (108 de 123 carros) e matou, segundo a Hiroshima Peace Media, 211 dos aproximadamente 950 funcionários que estavam em serviço naquele dia, entre eles 30 estudantes da escola feminina afiliada, que trabalhavam como cobradoras. Ainda assim, o serviço foi retomado em 9 de agosto, três dias depois. Dois daqueles carros —um deles o 651— ainda circulam hoje.

O que aprender com isso: O que devolveu um pouco de normalidade não foi reconstruir a cidade, foi restabelecer <strong>um serviço</strong>: se deslocar, e ver que algo funcionava. Em qualquer plano familiar ou comunitário vale a mesma pergunta: qual é o serviço mínimo —água, comunicação, transporte, um ponto de encontro— que pode ser reerguido primeiro, mesmo que tudo o mais continue quebrado.

Hiroshima Peace Media Center (Chugoku Shimbun) · 2008-06-23 · Are A-bombed streetcars still in service?

Artigos relacionados

O que os casos estudados mostram. Esta seção existe para substituir o boato por evidência medida, nas duas direções: nem catástrofe inevitável, nem assunto menor.

Hiroshima e Nagasaki — a prova de que o abrigo funciona
A RERF, a fundação conjunta do Japão e dos Estados Unidos, acompanha desde 1950 uma coorte de cerca de 120.000 pessoas, das quais cerca de 94.000 são sobreviventes. Dois achados importam aqui. O primeiro: a dose caía pela metade a cada 200 metros adicionais de distância do hipocentro, e estar dentro de uma casa típica reduzia a dose em 50% ou mais. Essa é a evidência histórica por trás da instrução de entrar em um edifício. O segundo, contra o fatalismo: nessa coorte, quase metade das mortes por leucemia e cerca de 10% dos tumores sólidos são atribuídos à radiação —cerca de 1.900 casos até o ano 2000—; o restante dos cânceres observados teria ocorrido de qualquer forma.
Chernobyl, 1986 — por que o iodeto de potássio existe
Segundo a OMS, dos 600 trabalhadores presentes naquela madrugada, 134 sofreram síndrome de radiação aguda e 28 morreram nos primeiros três meses. O efeito sobre a população foi diferente e muito específico: mais de 6.000 casos de câncer de tireoide foram diagnosticados até 2005 entre quem era criança ou adolescente na época, porque o iodo-131 foi para o ar e, sobretudo, para o leite e as verduras de folha, e as crianças consomem muito leite. A AIEA estima em cerca de 4.000 mortes o total já atribuível ou projetado ao longo da vida dos trabalhadores de emergência e dos moradores das áreas mais contaminadas, e destaca que a sobrevida nesses cânceres de tireoide tem sido de quase 99%. A conclusão mais citada do Fórum Chernobyl é outra: o impacto na saúde mental é o maior problema de saúde pública desencadeado pelo acidente até hoje.
Fukushima, 2011 — quando a evacuação causa mais dano do que a radiação
A UNSCEAR concluiu que não se espera que sejam perceptíveis aumentos nas taxas de câncer atribuíveis à radiação, e que o aumento de cânceres de tireoide detectados em crianças não é resultado da exposição, mas de uma triagem ultrassensível que revelou anomalias que antes não eram detectadas. A OMS é igualmente clara: não houve lesões agudas por radiação nem mortes entre os trabalhadores ou o público em decorrência da exposição do acidente. E acrescenta o detalhe que mais importa para a proteção civil: que o próprio processo de evacuação, especialmente nas condições de um desastre natural severo, pode representar riscos sérios à saúde, com aumento da mortalidade entre idosos realocados em moradias temporárias. Evacuar não é de graça: por isso as agências pedem para se abrigar primeiro e só se deslocar quando indicado.

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