Seca e Calor Extremo

Brasil

O calor extremo mata mais pessoas por ano do que qualquer outro fenômeno meteorológico nos Estados Unidos, e faz isso em silêncio, dentro de casa. A seca age mais devagar, mas esvazia represas que abastecem milhões de pessoas. Veja aqui como diferenciar a exaustão pelo calor da insolação — a diferença entre esperar e ligar para a emergência — e o que fazer quando a água começa a faltar.

Atualizado em 9 de setembro de 2026

El lago Mead con el anillo blanco que marca el lecho expuesto tras años de sequía prolongada.
El lago Mead con el anillo blanco que marca el lecho expuesto tras años de sequía prolongada.USGS / NASA Landsat · Dominio público

Antes da crise

O índice de calor combina temperatura e umidade, e é o que o corpo realmente sente. Estas são as faixas da tabela oficial do Serviço Meteorológico Nacional dos EUA:

27 a 32 °C (80–89 °F) — Cautela
Fadiga possível com exposição prolongada ou atividade física.
32 a 40 °C (90–104 °F) — Cautela extrema
Cãibras, exaustão pelo calor e insolação possíveis.
41 a 54 °C (105–129 °F) — Perigo
Cãibras e exaustão pelo calor prováveis; insolação possível com exposição prolongada ou esforço.
54 °C ou mais (130 °F+) — Perigo extremo
Insolação muito provável se a exposição continuar.

O NWS emite um Aviso de Calor Excessivo quando se espera um índice de calor de 41 °C (105 °F) ou mais por pelo menos dois dias e a temperatura noturna não cai abaixo de 24 °C (75 °F). Esse segundo dado é o que importa: quando a noite não esfria, o corpo não se recupera, e é aí que ocorrem as mortes.

Quem corre mais risco, segundo o CDC: pessoas de 65 anos ou mais, bebês e crianças, quem vive com doenças crônicas, quem não tem ar-condicionado, gestantes, atletas e trabalhadores ao ar livre.

  • Identifique agora mesmo o centro de resfriamento mais próximo: uma biblioteca, um shopping, um prédio público com ar-condicionado.
  • Faça uma lista das pessoas da sua rua que moram sozinhas e são idosas. A Ready.gov pede expressamente visitá-las com regularidade durante uma onda de calor.
  • Mantenha água armazenada e beba com frequência sem esperar sentir sede.
  • Instale cortinas ou película refletiva nas janelas que recebem sol direto.
  • Se você depende de um aparelho médico elétrico, tenha um plano para o caso de o calor provocar quedas de energia.
  • Diante de uma seca anunciada, comece a armazenar água e a consertar vazamentos antes que as restrições cheguem, não depois.
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Durante a crise

Exaustão pelo calor — aja rápido, mas ainda não é a emergência maior
Dor de cabeça, náusea, tontura, fraqueza, irritabilidade, sede e suor abundante. O que fazer: levar a pessoa para um lugar fresco, oferecer líquidos, aplicar compressas frias e lavar a cabeça, o rosto e o pescoço com água fria. Se não melhorar, procure atendimento médico.
Insolação — é uma emergência médica
Confusão mental, fala arrastada, pele quente e seca ou suor intenso, perda de consciência, temperatura corporal muito alta. O que fazer: ligue imediatamente para a emergência e, enquanto a ajuda chega, resfrie o corpo com água fria ou gelo. Aqui não se espera para ver se melhora.
  • Beba líquidos com frequência mesmo sem sede; no calor extremo, a sede chega tarde demais.
  • Tome banho com água fresca: isso baixa a temperatura corporal mais rápido do que qualquer bebida.
  • Se você não tem ar-condicionado, vá a um centro de resfriamento. A Ready.gov é clara: o ventilador sozinho não basta quando o ar já está muito quente, porque ele apenas move o calor em vez de retirá-lo.
  • Evite esforço físico nas horas mais quentes do dia.
  • Visite idosos, crianças e vizinhos que moram sozinhos: é uma recomendação oficial, não apenas um gesto de gentileza.
  • Nunca deixe ninguém, nem mesmo um animal de estimação, dentro de um veículo estacionado.
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Depois da crise

Uma seca não termina no dia em que chove. Ela termina quando o solo, os poços e os reservatórios se recuperam, e isso leva muito mais tempo do que o temporal que sai nas notícias. O que se faz nessas semanas decide se a próxima estação seca vai te encontrar igualmente exposto ou mais preparado.

  • Aproveite essa primeira chuva: é o melhor momento para colocar a captação de água em funcionamento, limpar as calhas e encher cisternas e caixas d'água.
  • Verifique a água armazenada antes de bebê-la se ela ficou guardada por muito tempo, e siga o procedimento de desinfecção do guia de crise de infraestrutura.
  • Não abandone os hábitos que funcionaram: vazamentos consertados, irrigação por gotejamento e cortes no consumo valem tanto com chuva quanto sem ela, e são o que deixa você preparado para a próxima seca.
  • Documente as perdas — lavoura, gado, equipamentos — com fotografias e registro escrito antes de repor qualquer coisa, para o caso de haver auxílio ou seguro a reivindicar.
  • Recupere o solo antes da produção: matéria orgânica, cobertura e sombra retêm umidade e são o que sustenta a próxima colheita.
  • Verifique o estado real do seu poço ou fonte de água antes de voltar ao consumo normal: o lençol freático leva meses ou anos para se recuperar, mesmo quando a superfície já está verde.

E um alerta de saúde que costuma ser esquecido quando o susto passa: os efeitos documentados da seca sobre a qualidade da água e do ar não desaparecem com a primeira chuva. Se a sua fonte de água ficou comprometida, trate-a como não potável até que a autoridade confirme o contrário.

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Plano familiar

Um plano familiar não é um documento bonito: é um punhado de combinados feitos hoje, quando todo mundo está tranquilo, para não ter que decidir com o coração acelerado e sem sinal no celular. Faz-se em uma conversa depois do almoço e cabe em uma folha colada na geladeira.

  1. Decidam onde vão se reunir, em dois lugares diferentes. Um perto de casa, para sair rápido, e outro fora do bairro, caso não seja possível voltar à área. Que todos saibam de cor, incluindo as crianças, e que não dependa de alguém ter o celular à mão.
  2. Nomeiem um contato fora da região. Uma pessoa em outra cidade para quem todos mandam mensagem quando podem. Essa pessoa reúne as informações e as repassa, para que ninguém precise sair procurando ninguém. Funciona porque as linhas locais saturam primeiro e porque uma mensagem passa onde uma ligação não passa.
  3. Distribuam responsabilidades com nome e sobrenome. Quem pega a mochila de emergência, quem corta o gás e a luz, quem acompanha a pessoa idosa ou com mobilidade reduzida, quem tira os animais de estimação. Uma tarefa sem dono é uma tarefa que ninguém faz.
  4. Guardem a lista em papel. Telefones da família, do contato de fora, do médico, da escola, do seguro e de emergência. Em papel, na mochila e na carteira. O celular sem bateria não tem agenda.
  5. Pratiquem uma vez. Um simulado de quinze minutos revela o que a conversa não revela: que a mochila estava enterrada no armário, que ninguém sabe onde fica o registro de gás, que a criança não lembra o ponto de encontro. Repitam pelo menos uma vez por ano e sempre que algo importante mudar em casa.
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Alimentação e água

Quando o problema é a água, não o calor. Uma seca prolongada não corta o abastecimento de um dia para o outro: primeiro chegam as restrições por horário, depois o rodízio e, por fim, os cortes longos. O que se faz na primeira fase é o que decide como se atravessa a terceira.

  • Armazene água em recipientes limpos, tampados e opacos, e identifique-os com a data.
  • Separe desde o início a água de beber da água de limpeza e uso sanitário: elas não se guardam da mesma forma nem se precisa da mesma quantidade.
  • Conserte vazamentos imediatamente. Um gotejamento constante pode significar dezenas de litros por dia que você não vai recuperar.
  • Reaproveite a água de enxágue de roupas e verduras para dar descarga.
  • Se houver rodízio, aproveite as horas de abastecimento para encher tudo, não só para consumir.
  • Se a água ficar turva ou houver aviso da autoridade, trate-a antes de beber: o procedimento oficial de fervura e cloração está no guia de crise de infraestrutura.
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Energia e comunicações

Quando a rede de celular satura: mande mensagem, não ligue
O guia conjunto da FCC e da FEMA explica o motivo: "as mensagens de texto podem passar quando sua ligação não consegue", ainda que haja atraso na entrega se a rede estiver congestionada. E pede algo que quase ninguém faz: "limite as ligações que não sejam de emergência", porque cada ligação ocupa espaço que as comunicações de socorro precisam. Guarde também um contato com o nome "ICE" (In Case of Emergency), que é a convenção que a equipe de resgate procura em um celular alheio.
Como fazer a bateria render mais
O mesmo guia recomenda diminuir o brilho da tela e desativar aplicativos para preservar a carga. Em uma emergência, o telefone deixa de ser entretenimento e passa a ser sua única linha com o mundo exterior: trate-o como trata a água.
O rádio a pilha continua insubstituível
A FCC e a FEMA recomendam um rádio a pilha ou uma televisão portátil para acompanhar os boletins de emergência durante os apagões. É o único canal que não depende nem da sua eletricidade nem da rede de celular.
Os alertas que você já tem e não sabia
Nos Estados Unidos, os Wireless Emergency Alerts são mensagens gratuitas que chegam direto ao celular em caso de clima severo, alertas AMBER e ameaças à segurança da sua região. Duas coisas que vale a pena saber: não é preciso se inscrever —funcionam nos telefones desde 2012— e não são afetados pelo congestionamento da rede, então chegam quando as ligações já não passam mais. Descubra qual é o sistema equivalente no seu país e não o silencie.
  • Tenha pelo menos uma fonte de luz que não dependa da rede elétrica: lanterna a pilha, de manivela ou luminária recarregável.
  • Carregue celulares e baterias reserva antes de o evento anunciado chegar, não quando a luz já tiver acabado.
  • Guarde uma lista de telefones importantes em papel: se o celular morrer, seus contatos morrem junto.
  • Combine com sua família que, depois de uma emergência, todos mandam mensagem para um mesmo contato em vez de se ligarem uns para os outros.
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Saúde e necessidades especiais

Esta é a seção que decide quem passa mal e quem passa perigosamente mal. Uma emergência não suspende o diabetes, a hipertensão, a gravidez nem a dependência de um concentrador de oxigênio: o que se interrompe é o acesso à farmácia, à clínica e à eletricidade. Tudo o que vem a seguir se prepara antes, porque durante já não há margem.

  1. Tenha uma reserva dos seus remédios, e saiba quais aguentam. A Ready.gov pede um suprimento de vários dias dos medicamentos prescritos. Para os que precisam de refrigeração, o CDC é taxativo: quando a luz fica um dia ou mais sem voltar, descarta-se todo medicamento que precise ser refrigerado, a menos que o rótulo diga outra coisa.
  2. A exceção da insulina, que vale a pena saber ao pé da letra. A FDA documenta que a insulina em frascos ou cartuchos do fabricante —aberta ou fechada— pode ficar sem refrigeração entre 15 e 30 °C (59 e 86 °F) por até 28 dias e continuar funcionando. Ela perde efetividade em temperaturas extremas, e quanto mais longa a exposição, menos serve. Em emergência "você ainda pode precisar usar insulina que foi armazenada acima de 30 °C" —é preferível a não usá-la—, mas assim que o armazenamento adequado for restabelecido, esses frascos devem ser descartados e substituídos.
  3. Se alguém depende de um equipamento médico elétrico, há um trâmite que quase ninguém faz. A Ready.gov diz isso explicitamente: você pode pedir à sua companhia de energia que te inclua em uma lista de prioridade para o restabelecimento do serviço. Esse trâmite é gratuito, pode ser feito em qualquer dia e muda a ordem em que você é reconectado. Tenha uma bateria adicional para a cadeira de rodas elétrica e para qualquer dispositivo de assistência, e converse com o médico sobre como manter o equipamento funcionando durante um apagão.
  4. Guarde uma cópia das informações médicas, não só os remédios. Lista de medicamentos com doses, alergias, diagnósticos, contatos dos médicos e —para bebês— a carteira de vacinação. Nem sempre é possível repor um frasco sem receita em uma farmácia de outra cidade; uma lista escrita resolve.
Gravidez e recém-nascidos
O CDC pede no kit as vitaminas pré-natais e demais medicamentos, e suprimentos para o caso de o parto acontecer sem conseguir chegar ao hospital: toalhas limpas, tesoura afiada limpa, aspirador nasal, luvas, dois cadarços brancos limpos para amarrar o cordão, lençóis limpos, absorventes, sabão ou álcool e sacos de lixo. Para bebês: fraldas, lenços umedecidos, pomada, mamadeiras e fórmula. Um detalhe que importa: a fórmula pronta para consumo é a opção mais segura em emergência, porque não precisa ser misturada com água e vem em embalagens estéreis de uso único.
Deficiência, mobilidade reduzida e idosos
A Ready.gov insiste em planejar com antecedência o transporte acessível que será necessário para evacuar ou se deslocar, e em incluir o animal de serviço ou de apoio, com sua comida, água e suprimentos. Esse plano deve ser combinado com vizinhos concretos, com nome, e não de forma abstrata.
O golpe que chega depois: a saúde mental
O CDC nomeia as reações normais após um desastre —medo, raiva, tristeza, preocupação, dormência, frustração, problemas para dormir ou pesadelos— e recomenda cuidar do corpo, manter contato com outras pessoas e fazer pausas nas notícias. Nos Estados Unidos e seus territórios existe a Linha de Ajuda para Afetados por Desastres, disponível 24 horas: 1-800-985-5990, com atendimento em espanhol. Pedir ajuda aqui não é fraqueza: é parte da recuperação, assim como consertar o telhado.
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Moradia e pertences

  1. Antes de voltar a entrar: olhe, cheire e escute de fora. O CDC determina assim: se você sentir cheiro de gás ou suspeitar de um vazamento, feche o registro principal, abra todas as janelas e saia imediatamente. Se houver água parada dentro de casa e você puder cortar a energia a partir de um lugar seco, corte. E um aviso simples que evita explosões e incêndios: use lanternas a pilha, nunca velas, lampiões a gás ou tochas.
  2. Ventile antes de se instalar. A recomendação do CDC é entrar rapidamente para abrir portas e janelas e deixar a casa ventilar por pelo menos 30 minutos antes de permanecer dentro dela.
  3. Cortar os serviços: quando sim, e o erro que não se pode cometer. O gás tem uma regra sem exceções: se você o fechar por qualquer motivo, somente um profissional qualificado pode voltar a abri-lo. Nunca o reabra você mesmo. A eletricidade se corta desligando primeiro os circuitos individuais e por último o disjuntor principal —a ordem importa, porque uma faísca elétrica pode incendiar gás se houver vazamento—. Convém fechar a água se os canos puderem ter rachado, porque isso contamina o abastecimento da casa, e não reabri-la até que a autoridade confirme que é potável.
  4. Volte só quando for autorizado. Parece óbvio e é a instrução mais desrespeitada: volte para casa somente quando as autoridades disserem que é seguro. O dano estrutural nem sempre é visível da rua.
  • Faça hoje um inventário com fotos do que há em cada cômodo: leva vinte minutos e vale ouro em um sinistro.
  • Guarde esse inventário e as apólices fora de casa —na nuvem ou com um familiar—, porque um arquivo que se molha junto com a casa não serve para nada.
  • Se precisar sair, leve com você os documentos, não os móveis.
  • Não assine nada com um prestador de serviço enquanto estiver em choque: consulte a seção de dinheiro, onde estão os sinais de fraude.
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Dinheiro e renda

Os documentos que você precisa proteger hoje
A recomendação oficial é guardar apólices de seguro, escrituras, registros de propriedade e demais papéis importantes em um lugar seguro fora de casa. Para isso, a FEMA publica o Emergency Financial First Aid Kit, organizado em quatro blocos: identificação do domicílio, documentação financeira e legal, informações médicas e contatos. Sua regra para o papel: caixa ou cofre à prova de fogo e água, caixa de segurança bancária, ou nas mãos de alguém de confiança. Para o digital: arquivos protegidos por senha em uma memória externa ou em armazenamento seguro fora de casa. E se você paga tudo online, imprima periodicamente os extratos das suas contas.
Um fundo de emergência, mesmo que pequeno
O CFPB evita fórmulas mágicas: "a quantia que você precisa depende da sua situação", mas "mesmo uma quantia pequena pode dar alguma segurança financeira". O argumento de fundo é o que importa: sem essa reserva, um gasto imprevisto único pode crescer muito mais que a fatura original por causa de juros e taxas, porque obriga a recorrer ao crédito.
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Oportunidades econômicas

Adaptação e renda
Tempo para começar: Semanas

Captação de água de chuva e conserto de vazamentos

Onde a água é escassa ou racionada, captar a chuva do telhado e fechar vazamentos reduz a conta mês a mês. Cobra-se por instalação.

Investimento estimado: USD 100–900 Dificuldade: media Precisa de veículo Precisa de ferramentas
Tempo para começar: Semanas

Horta de quintal e venda de mudas

Quando o preço das verduras sobe, cresce o interesse em plantar em casa. Vender mudas prontas, substrato e orientação custa pouco e tem procura recorrente.

Investimento estimado: USD 10–200 Dificuldade: baja De casa
Tempo para começar: Dias

Troca de filtros e limpeza de veículos depois da cinza

A cinza vulcânica é rocha abrasiva e arruína motores. Depois da queda de cinza o IVHHN recomenda trocar óleo e filtros de ar com muito mais frequência, limpar freios e alternador e enxaguar com água. É um serviço simples, de muito volume, procurado nas semanas seguintes.

Investimento estimado: USD 100–600 Dificuldade: media Precisa de ferramentas

As oportunidades são possibilidades, não garantias. O resultado depende da localização, da procura, da concorrência, do capital, das habilidades e das circunstâncias de cada pessoa.

Filtre as possibilidades de renda segundo a sua situação. Os resultados são pontos de partida para pesquisar na sua região, não recomendações personalizadas. O que posso fazer?

O que se pode vender

Adaptação e renda

A seca não chega de repente, e por isso sua demanda é diferente: não é urgência, é adaptação sustentada. O que as pessoas compram não é um serviço de emergência, mas sim formas de precisar de menos água ou de aproveitar melhor a que existe.

  • Reparo de vazamentos: é o serviço com melhor retorno para o cliente, porque um vazamento pequeno se paga sozinho na conta.
  • Instalação de captação de água da chuva: calhas, filtros e armazenamento.
  • Sistemas de irrigação por gotejamento para hortas, jardins e pequenas propriedades.
  • Reúso de águas cinzas da máquina de lavar e do chuveiro para irrigação e vasos sanitários.
  • Limpeza e vedação de cisternas e caixas d'água, para não perder o que está armazenado.
  • Jardinagem de baixo consumo: substituição de grama por plantas da região.
  • Filtros domésticos para tornar potável a água armazenada por muito tempo.
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Negócios e autoemprego

Adaptação e renda

Vale partir de um dado para dimensionar do que estamos falando: segundo a OIT, a informalidade afeta quase metade da população ocupada da América Latina e do Caribe, cerca de 47%, com diferenças enormes entre países —menos de 30% no Uruguai e no Chile, mais de 70% na Bolívia e no Peru—. Para milhões de famílias da região, "procurar emprego" e "montar algo por conta própria" são a mesma frase. O que vem a seguir não é uma promessa de renda: é o mapa do que as pessoas efetivamente fazem quando passam por uma crise, com seus requisitos e riscos à vista.

Detecção e reparo de vazamentos
É o ofício mais rentável de uma seca porque o argumento de venda é aritmético: o reparo se paga com o que o cliente deixa de gastar. Comece pelo simples —torneiras, vedações, boias de caixa d'água, conexões— que resolve a maioria dos casos sem equipamento especializado. Registre o consumo antes e depois: esse número é a sua melhor propaganda para o próximo cliente.
Captação de chuva e irrigação por gotejamento
Exige mais investimento (calhas, tanque, filtro, mangueira perfurada, temporizador) e por isso mesmo há menos concorrência. Funciona bem com hortas familiares, escolas e pequenos produtores. Cote sempre a manutenção posterior: um sistema de captação sem limpeza de filtros para de funcionar em uma temporada, e esse serviço recorrente é o que sustenta o negócio.
Reúso de águas cinzas
Redirecionar a água da máquina de lavar e do chuveiro para a irrigação ou o vaso sanitário economiza um volume enorme. Dois limites que precisam ser respeitados: a água cinza não deve ser armazenada por dias, porque apodrece e vira um problema sanitário, e não deve ser usada em hortaliças que se comem cruas. Consulte o regulamento do seu município antes de modificar um esgoto.
Estados Unidos — empréstimos por desastre da SBA
Para áreas com declaração de desastre. O empréstimo por dano econômico (EIDL) é capital de giro para pequenos negócios e organizações sem fins lucrativos afetados; o de dano físico cobre perdas não cobertas pelo seguro. Teto combinado de 2 milhões de dólares, juros que não excedem 4% se você não conseguir crédito em outro lugar, prazo de até 30 anos e primeira parcela adiada em 12 meses. Também há linha para proprietários de imóvel residencial (até 500.000) e locatários por bens pessoais (até 100.000).
México — o que existe hoje, com honestidade
O FONDEN deixou de assumir compromissos em 1º de janeiro de 2021. O que opera hoje diante de emergências é o PAEAN, da Proteção Civil, e vale saber o que é e o que não é: entrega insumos de socorro —cestas básicas, água, cobertores, telhas, material de limpeza— quando a capacidade do estado é ultrapassada. Não é um fundo de reconstrução nem um crédito para o seu negócio. Para capital, será preciso buscar programas estaduais, municipais ou bancos de desenvolvimento, sempre verificando no site oficial: em torno desses programas circulam fraudes que usam seu nome.
Brasil — Pronampe para micro e pequena empresa
Linha de crédito para microempresas (faturamento anual até 360.000 reais) e pequenas empresas (de 360.000 a 4,8 milhões). O valor chega a até 60% do faturamento bruto do ano anterior para empresas com mais de um ano de operação, e até 50% para as novas. A taxa máxima é a SELIC mais até 6% ao ano.
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Produtos e ferramentas

Produtos e ferramentas que podem ser úteis

Seleção orientativa para complementar a informação desta página. Não é uma loja nem uma recomendação de compra obrigatória.

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Manuais e tutoriais

PDF · manual

Manual do que fazer: Seca e Calor Extremo

Guia completo em PDF para imprimir ou levar no telefone, com as medidas oficiais antes, durante e depois, e as fontes citadas.

Checklists e planilhas

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Histórias de recuperação

Casos reais, publicados e verificáveis: cada um traz o link da fonte onde foi documentado. Aqui não há depoimentos inventados.

Corredor Seco da Guatemala — telhado, tanque e gotejamento

Merlyn Sandoval e Ricardo Ramírez construíram tanques de geomembrana de 16 m³ que captam a água dos telhados por tubulação de PVC. Ramírez conectou irrigação por gotejamento do seu tanque até um macrotúnel e colheu 950 pepinos e 450 libras de tomate; com o que economizou instalou eletricidade. Sandoval acrescentou um viveiro com 500 alevinos de tilápia. O projeto que os acompanhou alcançou 7.000 famílias em sete municípios.

O que aprender com isso: A combinação telhado + tanque + gotejamento transforma uma chuva irregular em colheita vendável, e o gotejamento estica o mesmo tanque várias semanas a mais que a irrigação por mangueira.

IPS Noticias · Edgardo Ayala · 2025-10-27 · Campesinos de Guatemala doblegan la sequía del Corredor Seco

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Temperaturas de 41 a 47 °C em uma região onde o ar-condicionado não era comum. O Oregon confirmou 83 mortes até 26 de julho de 2021, com idades entre 37 e 97 anos. O estado de Washington registrou 157 mortes por calor entre 26 de junho e 30 de agosto de 2021, das quais 68 ocorreram apenas nos dias 28 e 29 de junho, e 47% das vítimas tinham entre 65 e 79 anos. Os números dos dois estados não são diretamente comparáveis porque cobrem janelas de tempo diferentes. A lição: as mortes se concentraram em pessoas idosas, dentro de casa, sem ar-condicionado. Identificar antes do evento quem mora sozinho e sem refrigeração, e posicionar os centros de resfriamento onde essas pessoas consigam chegar, salva mais vidas do que qualquer alerta geral.
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O sistema Cantareira, que abastece cerca de 6 milhões de pessoas na região metropolitana e mais 5 milhões em bacias próximas, caiu para 27,2% da capacidade em janeiro de 2014 e chegou a 0% em maio daquele ano, obrigando o uso das reservas técnicas no fundo dos reservatórios. O sistema Alto Tietê caiu de 46,3% para 4,4% em um ano. Na cidade de Itu houve cortes de água de até 30 dias entre fevereiro e dezembro de 2014. A lição: uma metrópole inteira pode ficar sem margem de segurança. Deixar de tratar a água como um recurso infinito e construir armazenamento — doméstico e público — antes da crise é o único fator que dá tempo quando ela chega.

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