Inundação

México

Os números que mais importam em uma inundação são pequenos: seis polegadas de água em movimento derrubam um adulto, e um pé de água arrasta a maioria dos carros. Este guia reúne o que vale para qualquer país —como saber se sua casa está em risco, o que fazer quando a água sobe e como voltar sem adoecer— e diz em que momento você precisa ouvir a sua autoridade local, e não um guia geral.

Atualizado em 11 de setembro de 2026

Calle del centro de Waterloo, Iowa, anegada, con el agua cubriendo la calzada y llegando a los comercios.
Calle del centro de Waterloo, Iowa, anegada, con el agua cubriendo la calzada y llegando a los comercios.Don Becker, U.S. Geological Survey · Dominio público

Antes da crise

Quase tudo o que reduz o dano de uma inundação é feito quando não está chovendo. Há três coisas que não dá para improvisar no dia do aviso: saber se a sua casa está em área de risco de inundação, já ter contratado o seguro e ter decidido para onde ir.

  1. Descubra o seu risco real, não o que você lembra. A pergunta não é "isso aqui já inundou antes?", e sim "a minha rua está em área de risco de inundação segundo o mapa oficial?". Quase todos os países têm um mapa de risco de inundação publicado pelo seu serviço de águas, pelo seu serviço meteorológico ou pela sua defesa civil. Procure pelo nome do seu município. O Ready.gov coloca isso como o primeiro passo, por um motivo prático: o seguro e a ajuda pública são decididos pelo mapa, não pela memória do bairro.
  2. Contrate o seguro com meses de antecedência. Este é o erro mais caro, e o mais comum. O seguro contra inundação geralmente não entra em vigor de imediato. O Ready.gov alerta: "geralmente leva até 30 dias para uma apólice entrar em vigor, por isso o momento de comprá-la é bem antes do desastre". Contratá-lo quando já há aviso de chuva não adianta nada. E atenção: em muitos países a apólice residencial comum não cobre inundação; é preciso contratá-la à parte.
  3. Suba o que não pode molhar, e faça isso agora. Documentos, fotos, discos rígidos, remédios e aparelhos eletrônicos vão para o andar de cima ou para prateleiras altas. Se você mora no térreo, guarde tudo em caixas plásticas fechadas e apoie as caixas sobre blocos. O Ready.gov acrescenta duas coisas que as pessoas esquecem: limpar ralos e calhas, e avaliar a instalação de válvulas de retenção no esgoto, que é o que impede que o esgoto entre em casa pelo ralo do chuveiro.
  4. Monte a mochila de emergência e decida a rota. Água, comida não perecível, lanterna, rádio a pilha, carregador, remédios e cópia dos documentos, prontos para sair sem precisar pensar. E decida com antecedência para qual ponto alto você vai e por qual rua: o caminho mais curto costuma ser o primeiro a alagar, porque a água busca as mesmas depressões por onde as ruas foram traçadas.
  5. Fotografe a sua casa antes que algo aconteça. Grave um vídeo com o celular percorrendo a casa, cômodo por cômodo, com os aparelhos e os móveis visíveis. Salve na nuvem. É a prova que o seguro e a ajuda pública vão pedir, e depois da inundação você não tem mais como fazer isso.
Fontes oficiais desta seção

Durante a crise

A água turva esconde o que há embaixo dela. Aquele meio metro de água pode ser uma cratera onde antes havia asfalto, uma tampa de bueiro levantada pela pressão, ou um fio caído. Ninguém consegue calcular a profundidade de dentro do carro, e por isso a regra não admite meio-termo: dê a volta, não se afogue.

  1. Se disserem para evacuar, evacue imediatamente. O Ready.gov acrescenta: "nunca contorne uma barricada". Elas são colocadas onde a estrada já não existe mais.
  2. Corte a eletricidade e o gás antes de sair, se conseguir fazer isso com o chão seco e sem tocar em nada molhado.
  3. Suba, não saia. Se a água já cercou você e não há rota seca para sair, ganhe altura dentro do prédio e avise onde você está.
  4. Se o seu carro ficar preso em água que se move rapidamente, fique dentro dele; se a água subir dentro do carro, suba para o teto. É a instrução literal do Ready.gov.
  5. Nunca toque em um fio de energia caído, nem dirija por água parada onde haja fios caídos (CDC).
  6. Mande mensagem de texto em vez de ligar. A rede de voz fica saturada antes da rede de dados, e uma mensagem continua tentando ser enviada assim que houver uma brecha.
Crianças
A água de uma rua inundada parece brincadeira, e é uma correnteza. Não tire os olhos delas nem por um momento, e explique antes —não durante— que não se entra na água mesmo que pareça rasa.
Pessoas idosas ou com mobilidade reduzida
Evacuar leva muito mais tempo do que se imagina. Se na sua casa há alguém que precisa de ajuda para se mover, saiam no primeiro aviso, não no último. E leve remédio para vários dias, não para um só.
Pessoas que dependem de equipamentos elétricos
Concentrador de oxigênio, diálise, bombas: a queda de energia chega antes da água. Decida com antecedência para qual hospital ou centro vocês vão e avise alguém fora da área.
Fontes oficiais desta seção

Depois da crise

O CDC é específico sobre o que a água da inundação carrega: fios de energia caídos, dejetos humanos e de animais de criação, resíduos perigosos domésticos, médicos e industriais, objetos físicos como madeira e entulho, e animais deslocados —incluindo roedores e cobras. Não é "água suja": é água contaminada com coisas diferentes a cada vez.

  1. Antes de entrar: gás e eletricidade. O CDC é direto: "se você sentir cheiro de gás ou suspeitar de vazamento, feche o registro geral, abra todas as janelas e saia de casa imediatamente". E a eletricidade não se religa por conta própria: "peça a um eletricista para verificar a instalação elétrica da casa antes de ligar a energia de novo". Nunca mexa em equipamento elétrico em pé sobre água.
  2. Se precisar pisar na água, proteja-se. O CDC especifica o equipamento: "use botas de borracha, luvas de borracha e óculos de proteção". Qualquer ferimento deve ser lavado com água limpa e sabão o quanto antes, e feridas abertas devem ser cobertas com um curativo impermeável para reduzir o risco de infecção.
  3. Documente antes de jogar qualquer coisa fora. Fotografe e filme cada cômodo, cada móvel e cada aparelho danificado, com a marca do nível da água visível na parede. Guarde os recibos de tudo o que você gastar na emergência. Sem isso, o seguro e a ajuda pública ficam só na sua palavra.
  4. Seque imediatamente e jogue fora o que não pode ser desinfetado. Retire a água e comece a secar tudo no mesmo dia —aspiradores de líquido, bombas, ventiladores e desumidificadores. O CDC alerta ainda para algo que quase ninguém faz: revise e limpe o sistema de ar-condicionado ou aquecimento ANTES de ligá-lo, porque, se houver mofo, ligar o sistema espalha o mofo pela casa toda. E há materiais que não têm salvação: "jogue fora o que não puder ser desinfetado, como revestimentos de parede, tecidos, tapetes e placas de gesso (drywall)".
  5. Comida e água: na dúvida, jogue fora. O CDC: jogue fora qualquer alimento que possa ter tocado a água da inundação, os perecíveis que ficaram sem refrigeração por causa da falta de energia, e qualquer coisa com cheiro, cor ou textura estranhos. Para a água, siga o que a sua autoridade local disser sobre se ela é potável; se você tem poço, mande analisá-lo antes de usar.
Fontes oficiais desta seção

Plano familiar

Um plano familiar não é um documento bonito: é um punhado de combinados feitos hoje, quando todo mundo está tranquilo, para não ter que decidir com o coração acelerado e sem sinal no celular. Faz-se em uma conversa depois do almoço e cabe em uma folha colada na geladeira.

  1. Decidam onde vão se reunir, em dois lugares diferentes. Um perto de casa, para sair rápido, e outro fora do bairro, caso não seja possível voltar à área. Que todos saibam de cor, incluindo as crianças, e que não dependa de alguém ter o celular à mão.
  2. Nomeiem um contato fora da região. Uma pessoa em outra cidade para quem todos mandam mensagem quando podem. Essa pessoa reúne as informações e as repassa, para que ninguém precise sair procurando ninguém. Funciona porque as linhas locais saturam primeiro e porque uma mensagem passa onde uma ligação não passa.
  3. Distribuam responsabilidades com nome e sobrenome. Quem pega a mochila de emergência, quem corta o gás e a luz, quem acompanha a pessoa idosa ou com mobilidade reduzida, quem tira os animais de estimação. Uma tarefa sem dono é uma tarefa que ninguém faz.
  4. Guardem a lista em papel. Telefones da família, do contato de fora, do médico, da escola, do seguro e de emergência. Em papel, na mochila e na carteira. O celular sem bateria não tem agenda.
  5. Pratiquem uma vez. Um simulado de quinze minutos revela o que a conversa não revela: que a mochila estava enterrada no armário, que ninguém sabe onde fica o registro de gás, que a criança não lembra o ponto de encontro. Repitam pelo menos uma vez por ano e sempre que algo importante mudar em casa.
Fontes oficiais desta seção

Alimentação e água

Como armazenar a água para que sirva quando você precisar
O CDC pede recipientes de grau alimentício aprovados, com tampa que feche bem, de material rígido e inquebrável —nunca vidro— e com boca estreita para facilitar o despejo. Aviso expresso: não use embalagens que já contiveram produtos químicos tóxicos, como cloro ou pesticidas. E o que quase todo mundo esquece: a água guardada é trocada a cada 6 meses. Para desinfetar o recipiente antes de enchê-lo, use uma colher de chá de cloro doméstico sem perfume em um litro de água, espere 30 segundos e esvazie.
Que comida ter guardada
A Ready.gov recomenda vários dias de alimentos não perecíveis e dá a lista concreta: carnes, frutas e verduras enlatadas prontas para comer —e um abridor de latas—, barras de proteína ou de fruta, cereal seco ou granola, pasta de amendoim, fruta seca, sucos enlatados e leite pasteurizado de longa vida. A regra ao montar essa reserva é simples: comida que sua família realmente coma, que não precise de cozimento e que você possa revezar antes que vença.
  • Mantenha geladeira e freezer fechados: cada abertura desperdiça horas da reserva de frio.
  • Jogue fora todo alimento que tenha tocado água de enchente, mesmo que a embalagem pareça intacta. É instrução expressa da Ready.gov.
  • Tenha um abridor de latas manual. É o objeto mais esquecido e o que deixa a despensa inutilizável.
  • Se comprar água engarrafada, guarde-a lacrada em sua embalagem original, em um lugar fresco e escuro.
Fontes oficiais desta seção

Energia e comunicações

Quando a rede de celular satura: mande mensagem, não ligue
O guia conjunto da FCC e da FEMA explica o motivo: "as mensagens de texto podem passar quando sua ligação não consegue", ainda que haja atraso na entrega se a rede estiver congestionada. E pede algo que quase ninguém faz: "limite as ligações que não sejam de emergência", porque cada ligação ocupa espaço que as comunicações de socorro precisam. Guarde também um contato com o nome "ICE" (In Case of Emergency), que é a convenção que a equipe de resgate procura em um celular alheio.
Como fazer a bateria render mais
O mesmo guia recomenda diminuir o brilho da tela e desativar aplicativos para preservar a carga. Em uma emergência, o telefone deixa de ser entretenimento e passa a ser sua única linha com o mundo exterior: trate-o como trata a água.
O rádio a pilha continua insubstituível
A FCC e a FEMA recomendam um rádio a pilha ou uma televisão portátil para acompanhar os boletins de emergência durante os apagões. É o único canal que não depende nem da sua eletricidade nem da rede de celular.
Os alertas que você já tem e não sabia
Nos Estados Unidos, os Wireless Emergency Alerts são mensagens gratuitas que chegam direto ao celular em caso de clima severo, alertas AMBER e ameaças à segurança da sua região. Duas coisas que vale a pena saber: não é preciso se inscrever —funcionam nos telefones desde 2012— e não são afetados pelo congestionamento da rede, então chegam quando as ligações já não passam mais. Descubra qual é o sistema equivalente no seu país e não o silencie.
  • Tenha pelo menos uma fonte de luz que não dependa da rede elétrica: lanterna a pilha, de manivela ou luminária recarregável.
  • Carregue celulares e baterias reserva antes de o evento anunciado chegar, não quando a luz já tiver acabado.
  • Guarde uma lista de telefones importantes em papel: se o celular morrer, seus contatos morrem junto.
  • Combine com sua família que, depois de uma emergência, todos mandam mensagem para um mesmo contato em vez de se ligarem uns para os outros.
Fontes oficiais desta seção

Saúde e necessidades especiais

Esta é a seção que decide quem passa mal e quem passa perigosamente mal. Uma emergência não suspende o diabetes, a hipertensão, a gravidez nem a dependência de um concentrador de oxigênio: o que se interrompe é o acesso à farmácia, à clínica e à eletricidade. Tudo o que vem a seguir se prepara antes, porque durante já não há margem.

  1. Tenha uma reserva dos seus remédios, e saiba quais aguentam. A Ready.gov pede um suprimento de vários dias dos medicamentos prescritos. Para os que precisam de refrigeração, o CDC é taxativo: quando a luz fica um dia ou mais sem voltar, descarta-se todo medicamento que precise ser refrigerado, a menos que o rótulo diga outra coisa.
  2. A exceção da insulina, que vale a pena saber ao pé da letra. A FDA documenta que a insulina em frascos ou cartuchos do fabricante —aberta ou fechada— pode ficar sem refrigeração entre 15 e 30 °C (59 e 86 °F) por até 28 dias e continuar funcionando. Ela perde efetividade em temperaturas extremas, e quanto mais longa a exposição, menos serve. Em emergência "você ainda pode precisar usar insulina que foi armazenada acima de 30 °C" —é preferível a não usá-la—, mas assim que o armazenamento adequado for restabelecido, esses frascos devem ser descartados e substituídos.
  3. Se alguém depende de um equipamento médico elétrico, há um trâmite que quase ninguém faz. A Ready.gov diz isso explicitamente: você pode pedir à sua companhia de energia que te inclua em uma lista de prioridade para o restabelecimento do serviço. Esse trâmite é gratuito, pode ser feito em qualquer dia e muda a ordem em que você é reconectado. Tenha uma bateria adicional para a cadeira de rodas elétrica e para qualquer dispositivo de assistência, e converse com o médico sobre como manter o equipamento funcionando durante um apagão.
  4. Guarde uma cópia das informações médicas, não só os remédios. Lista de medicamentos com doses, alergias, diagnósticos, contatos dos médicos e —para bebês— a carteira de vacinação. Nem sempre é possível repor um frasco sem receita em uma farmácia de outra cidade; uma lista escrita resolve.
Gravidez e recém-nascidos
O CDC pede no kit as vitaminas pré-natais e demais medicamentos, e suprimentos para o caso de o parto acontecer sem conseguir chegar ao hospital: toalhas limpas, tesoura afiada limpa, aspirador nasal, luvas, dois cadarços brancos limpos para amarrar o cordão, lençóis limpos, absorventes, sabão ou álcool e sacos de lixo. Para bebês: fraldas, lenços umedecidos, pomada, mamadeiras e fórmula. Um detalhe que importa: a fórmula pronta para consumo é a opção mais segura em emergência, porque não precisa ser misturada com água e vem em embalagens estéreis de uso único.
Deficiência, mobilidade reduzida e idosos
A Ready.gov insiste em planejar com antecedência o transporte acessível que será necessário para evacuar ou se deslocar, e em incluir o animal de serviço ou de apoio, com sua comida, água e suprimentos. Esse plano deve ser combinado com vizinhos concretos, com nome, e não de forma abstrata.
O golpe que chega depois: a saúde mental
O CDC nomeia as reações normais após um desastre —medo, raiva, tristeza, preocupação, dormência, frustração, problemas para dormir ou pesadelos— e recomenda cuidar do corpo, manter contato com outras pessoas e fazer pausas nas notícias. Nos Estados Unidos e seus territórios existe a Linha de Ajuda para Afetados por Desastres, disponível 24 horas: 1-800-985-5990, com atendimento em espanhol. Pedir ajuda aqui não é fraqueza: é parte da recuperação, assim como consertar o telhado.
Fontes oficiais desta seção

Moradia e pertences

  1. Antes de voltar a entrar: olhe, cheire e escute de fora. O CDC determina assim: se você sentir cheiro de gás ou suspeitar de um vazamento, feche o registro principal, abra todas as janelas e saia imediatamente. Se houver água parada dentro de casa e você puder cortar a energia a partir de um lugar seco, corte. E um aviso simples que evita explosões e incêndios: use lanternas a pilha, nunca velas, lampiões a gás ou tochas.
  2. Ventile antes de se instalar. A recomendação do CDC é entrar rapidamente para abrir portas e janelas e deixar a casa ventilar por pelo menos 30 minutos antes de permanecer dentro dela.
  3. Cortar os serviços: quando sim, e o erro que não se pode cometer. O gás tem uma regra sem exceções: se você o fechar por qualquer motivo, somente um profissional qualificado pode voltar a abri-lo. Nunca o reabra você mesmo. A eletricidade se corta desligando primeiro os circuitos individuais e por último o disjuntor principal —a ordem importa, porque uma faísca elétrica pode incendiar gás se houver vazamento—. Convém fechar a água se os canos puderem ter rachado, porque isso contamina o abastecimento da casa, e não reabri-la até que a autoridade confirme que é potável.
  4. Volte só quando for autorizado. Parece óbvio e é a instrução mais desrespeitada: volte para casa somente quando as autoridades disserem que é seguro. O dano estrutural nem sempre é visível da rua.
  • Faça hoje um inventário com fotos do que há em cada cômodo: leva vinte minutos e vale ouro em um sinistro.
  • Guarde esse inventário e as apólices fora de casa —na nuvem ou com um familiar—, porque um arquivo que se molha junto com a casa não serve para nada.
  • Se precisar sair, leve com você os documentos, não os móveis.
  • Não assine nada com um prestador de serviço enquanto estiver em choque: consulte a seção de dinheiro, onde estão os sinais de fraude.
Fontes oficiais desta seção

Dinheiro e renda

Os documentos que você precisa proteger hoje
A recomendação oficial é guardar apólices de seguro, escrituras, registros de propriedade e demais papéis importantes em um lugar seguro fora de casa. Para isso, a FEMA publica o Emergency Financial First Aid Kit, organizado em quatro blocos: identificação do domicílio, documentação financeira e legal, informações médicas e contatos. Sua regra para o papel: caixa ou cofre à prova de fogo e água, caixa de segurança bancária, ou nas mãos de alguém de confiança. Para o digital: arquivos protegidos por senha em uma memória externa ou em armazenamento seguro fora de casa. E se você paga tudo online, imprima periodicamente os extratos das suas contas.
Um fundo de emergência, mesmo que pequeno
O CFPB evita fórmulas mágicas: "a quantia que você precisa depende da sua situação", mas "mesmo uma quantia pequena pode dar alguma segurança financeira". O argumento de fundo é o que importa: sem essa reserva, um gasto imprevisto único pode crescer muito mais que a fatura original por causa de juros e taxas, porque obriga a recorrer ao crédito.
Fontes oficiais desta seção

Oportunidades econômicas

Adaptação e renda
Tempo para começar: Dias

Serviço de limpeza e remoção de lama após uma enchente

Depois de uma enchente muitas casas e lojas precisam remover lama, secar e desinfetar antes de voltar a funcionar. É um trabalho físico, com procura concentrada nas semanas seguintes.

Investimento estimado: USD 0–300 Dificuldade: baja Precisa de veículo Precisa de ferramentas
Tempo para começar: Semanas

Pequenos reparos domésticos sob encomenda

Quando o orçamento aperta, muitas pessoas consertam em vez de substituir. Encanamento simples, marcenaria, pintura e montagem costumam ter procura constante.

Investimento estimado: USD 50–500 Dificuldade: media Precisa de ferramentas
Tempo para começar: Semanas

Secagem e desinfecção de móveis, colchões e tapetes

Depois que a água baixa, muitas casas não conseguem repor todos os móveis e preferem recuperá-los. Secar, lavar e desinfetar colchões, sofás e tapetes tem procura nas semanas seguintes.

Investimento estimado: USD 100–800 Dificuldade: media Precisa de veículo Precisa de ferramentas
Tempo para começar: Dias

Lavagem e secagem de roupas por quilo

Quando muitas famílias ficam sem máquina de lavar ou sem água limpa, a lavagem por quilo vira serviço básico. Pode começar com equipamento doméstico.

Investimento estimado: USD 0–400 Dificuldade: baja De casa
Tempo para começar: Dias

Transporte de entulho e mudança de móveis

Levar entulho, móveis inservíveis e eletrodomésticos danificados ao ponto de coleta indicado pelo município, ou mover pertences para um lugar seco, é uma das primeiras necessidades.

Investimento estimado: USD 0–200 Dificuldade: baja Precisa de veículo Precisa de ferramentas
Tempo para começar: Dias

Venda de comida pronta em domicílio

Quando muitas famílias ficam sem cozinha, sem gás ou sem tempo, a comida pronta e barata vira um serviço básico do bairro.

Investimento estimado: USD 20–300 Dificuldade: baja De casa
Tempo para começar: Dias

Documentos e apoio digital

Repor documentos molhados ou perdidos, preencher formulários on-line, digitalizar e imprimir. Muita gente não consegue sozinha e paga por ajuda.

Investimento estimado: USD 0–250 Dificuldade: baja De casa

As oportunidades são possibilidades, não garantias. O resultado depende da localização, da procura, da concorrência, do capital, das habilidades e das circunstâncias de cada pessoa.

Filtre as possibilidades de renda segundo a sua situação. Os resultados são pontos de partida para pesquisar na sua região, não recomendações personalizadas. O que posso fazer?

O que se pode vender

Adaptação e renda

Durante a limpeza muda o que as pessoas precisam comprar, e muda rápido: nos primeiros dias vende-se o que serve para tirar água e lama, e a partir da primeira semana o que serve para secar e repor. Esta lista é orientativa: a demanda real depende da sua região, do nível de dano e do que os comércios próximos já oferecem.

  • Limpeza e desinfecção: cloro, sabão, vassouras, rodos, baldes, panos de chão, escovas.
  • Proteção pessoal para limpar: botas de plástico, luvas, máscaras.
  • Sacos resistentes para entulho e lixo.
  • Água engarrafada e galões, enquanto o abastecimento não volta.
  • Comida pronta e barata para famílias que ficaram sem cozinha.
  • Pilhas, lanternas, extensões elétricas e baterias portáteis.
  • Ventiladores e equipamento de secagem: é o mais procurado e o que costuma faltar mais, porque secar paredes e móveis é o que decide se vai haver mofo ou não.
  • Colchonetes, cobertores e roupas básicas.
Fontes oficiais desta seção

Negócios e autoemprego

Adaptação e renda

Vale partir de um dado para dimensionar do que estamos falando: segundo a OIT, a informalidade afeta quase metade da população ocupada da América Latina e do Caribe, cerca de 47%, com diferenças enormes entre países —menos de 30% no Uruguai e no Chile, mais de 70% na Bolívia e no Peru—. Para milhões de famílias da região, "procurar emprego" e "montar algo por conta própria" são a mesma frase. O que vem a seguir não é uma promessa de renda: é o mapa do que as pessoas efetivamente fazem quando passam por uma crise, com seus requisitos e riscos à vista.

Limpeza de lama e secagem — o trabalho com prazo
É a maior demanda e a mais urgente, porque tem prazo: o NIOSH define em 24 a 48 horas a janela para retirar ou secar o material molhado antes que o mofo se instale. Quem chega dentro desse prazo faz o trabalho corretamente; quem chega depois já está fazendo remediação, que é outra coisa. Limite que vale a pena conhecer e respeitar: acima de 10 pés quadrados de mofo, ou se a água veio do esgoto, a EPA trata como trabalho para pessoal experiente.
Serviços que substituem o que a casa perdeu
Quando uma família fica sem máquina de lavar, sem cozinha ou sem transporte, surge demanda imediata de lavagem de roupa por quilo, comida pronta em domicílio ou para equipes de resgate e transporte de móveis e entulho se você tiver veículo. São os negócios de menor investimento desta lista e os que começam no mesmo dia.
Trâmites e acompanhamento digital
Pouco atendido e com demanda real: digitalizar documentos molhados ou recuperados, preencher formulários on-line de ajuda e seguros, imprimir comprovantes. Muita gente perde o apoio a que tinha direito por não conseguir concluir um trâmite, não por não se qualificar.
Reparos menores
Alvenaria, pintura, marcenaria e hidráulica simples têm trabalho por meses. O que não entra aqui: instalações elétricas e de gás e vistorias estruturais, que exigem pessoal qualificado. Oferecê-las sem a formação adequada coloca vidas em risco, a sua inclusive.
Estados Unidos — empréstimos por desastre da SBA
Para áreas com declaração de desastre. O empréstimo por dano econômico (EIDL) é capital de giro para pequenos negócios e organizações sem fins lucrativos afetados; o de dano físico cobre perdas não cobertas pelo seguro. Teto combinado de 2 milhões de dólares, juros que não excedem 4% se você não conseguir crédito em outro lugar, prazo de até 30 anos e primeira parcela adiada em 12 meses. Também há linha para proprietários de imóvel residencial (até 500.000) e locatários por bens pessoais (até 100.000).
México — o que existe hoje, com honestidade
O FONDEN deixou de assumir compromissos em 1º de janeiro de 2021. O que opera hoje diante de emergências é o PAEAN, da Proteção Civil, e vale saber o que é e o que não é: entrega insumos de socorro —cestas básicas, água, cobertores, telhas, material de limpeza— quando a capacidade do estado é ultrapassada. Não é um fundo de reconstrução nem um crédito para o seu negócio. Para capital, será preciso buscar programas estaduais, municipais ou bancos de desenvolvimento, sempre verificando no site oficial: em torno desses programas circulam fraudes que usam seu nome.
Brasil — Pronampe para micro e pequena empresa
Linha de crédito para microempresas (faturamento anual até 360.000 reais) e pequenas empresas (de 360.000 a 4,8 milhões). O valor chega a até 60% do faturamento bruto do ano anterior para empresas com mais de um ano de operação, e até 50% para as novas. A taxa máxima é a SELIC mais até 6% ao ano.
Fontes oficiais desta seção

Produtos e ferramentas

Produtos e ferramentas que podem ser úteis

Seleção orientativa para complementar a informação desta página. Não é uma loja nem uma recomendação de compra obrigatória.

Ainda não há produtos selecionados para esta seção.

Manuais e tutoriais

PDF · manual

Manual de qué hacer: Inundación

Guía completa en PDF para imprimir o llevar en el teléfono, con las medidas oficiales antes, durante y después, y las fuentes citadas.

PDF · manual

Manual do que fazer: Inundação

Guia completo em PDF para imprimir ou levar no telefone, com as medidas oficiais antes, durante e depois, e as fontes citadas.

PDF · guia

Guía: Plan Familiar de Protección Civil para zonas inundables

Formato para llenar en familia: croquis de rutas, punto de reunión, contacto único fuera de la zona y responsables de cada persona que necesita apoyo.

Checklists e planilhas

PDF · checklist

Checklist: mochila de emergencia familiar

Lista imprimible para armar y revisar la mochila de emergencia de la familia.

Em breve
PDF · checklist

Checklist: antes, durante y después de una inundación

Lista imprimible con las medidas oficiales de Protección Civil para cada etapa, pensada para pegarse en el refrigerador.

XLSX · plantilla

Plantilla: inventario de daños por inundación

Hoja para registrar cada bien afectado, su valor aproximado y la fotografía correspondiente, antes de tirar nada.

Histórias de recuperação

Casos reais, publicados e verificáveis: cada um traz o link da fonte onde foi documentado. Aqui não há depoimentos inventados.

Forest Lake Drapery, Columbia (Carolina do Sul) — operar a partir da parte que ficou seca

A inundação de outubro de 2015 abriu um buraco de seis metros na parte de trás do local e destruiu cerca de um milhão de dólares em estoque. Michael e Ginger Marsha continuaram operando a partir do segundo andar, que não foi inundado, alugaram armazenamento temporário e mantiveram em folha seus sete funcionários. Com um empréstimo por desastre da SBA de 735.000 dólares reconstruíram, reabasteceram o estoque e instalaram proteções contra tempestades. Dentro do ano seguinte alcançaram meses de vendas recorde.

O que aprender com isso: Se uma parte do local ficou seca, opere a partir dela desde o primeiro dia. E manter a equipe é o que permite reabrir rápido: recontratar e retreinar custa mais do que sustentar a folha por algumas semanas.

SBA — Administración de Pequeños Negocios (EE. UU.) · 2018-05-14 · Victors over catastrophe: ganadores del Phoenix Award 2018

Pequenos negócios do Rio Grande do Sul (Brasil) — para que serve de verdade o crédito

Após as enchentes de maio de 2024, um programa estadual de crédito orientado atendeu 665 empreendedores em 116 municípios, com um crédito médio de 74.000 reais. A boutique de Carina Castro, em Canoas, fechou 30 dias e com 24.000 reais pagou dívidas e reorganizou seu fluxo de caixa. Ricardo Leal, em Eldorado do Sul, teve toda a maquinaria danificada pela água e recebeu 200.000 reais para capital de giro e reposição. Do total, 52,7% usou o dinheiro para pagar dívidas e 70% manteve seus empregos.

O que aprender com isso: O primeiro uso do crédito após um desastre não é crescer: é limpar dívidas e estabilizar o caixa. Quem tenta se expandir com esse dinheiro costuma ficar sem liquidez poucos meses depois.

CNN Brasil · 2025-10-05 · Pequenos negócios gaúchos se recuperam das enchentes com crédito orientado

Artigos relacionados

Guias relacionados dentro do site:

Não espere acontecer

Baixe o checklist e monte hoje o plano familiar. Leva menos de uma hora e é o que mais muda o resultado.